Texto
. ‘Dos quais saíram os Pelishtim’. Que isto signifique a nação que derivou daí, e que por ela seja significado o conhecimento das cognições da fé e da caridade, vê-se pela Palavra onde são muitas vezes nomeados. Na Igreja Antiga foram chamados ‘filisteus’ todos aqueles que falavam muito a respeito da fé e que na fé há salvação e, todavia, não tiveram vida alguma da fé, pelo que também foram chamados, mais do que outros, incircuncisos, isto é, sem caridade. Que sejam chamados incircuncisos, vê-se em 1Sm. 14:6; 17:26, 36; 31:4; 2Sm. 1:20 e outras passagens. Como eles eram tais, não puderam deixar de fazer as cognições da fé coisas da memória, pois as cognições das coisas espirituais e celestes, e mesmo os arcanos da fé, tornam-se somente coisas da memória quando o homem que os possui é desprovido de caridade. As coisas da memória são como coisas mortas, a menos que o homem seja tal que viva segundo elas pela consciência. Quando ele faz isso, então elas são coisas da memória e, ao mesmo tempo, também da vida, e somente então lhe servem para uso e salvação após a vida do corpo. Na outra vida, as cognições e os conhecimentos nada são no homem se não foram aplicados na vida, ainda que ele tenha conhecido todos os arcanos que jamais foram revelados.
[2] Em todos os lugares nas partes proféticas da Palavra, assim como nas históricas, pelos ‘filisteus’ são significadas tais pessoas. Por exemplo, que Abrahão peregrinou na terra dos filisteus e firmou aliança com Abimeleque, rei dos filisteus (Gn. 20:1 até o fim; 21:22 até o fim; 26:1–34); aí, como pelos ‘filisteus’ foram significadas as cognições da fé, e como ‘Abrahão’ representava as coisas celestes da fé, ele peregrinou ali e estabeleceu aliança com eles. Diz-se semelhantemente a respeito de ‘Isaque’, por quem foram representadas as coisas espirituais da fé, mas não se diz a respeito de ‘Jacó’, porque por ele foram representadas as coisas externas da igreja.
[3] Que os ‘filisteus’ signifiquem em geral o conhecimento das cognições da fé e, em particular, os que põem a fé e a salvação somente nas cognições, que eles fazem ser matérias da memória, pode-se ver também em Isaías:
“Não te alegres, ó toda a Filisteia, por ter-se quebrado a vara que te fere, pois da raiz da serpente sairá um basilisco, e o fruto dele [será] uma serpente que voa” (14:29);
onde a ‘raiz da serpente’ está em lugar dos conhecimentos, o ‘basilisco’ em lugar do mal oriundo do falso, o ‘fruto da serpente que voa’ são as obras que, por serem das cobiças, são chamadas ‘serpente que voa’.
[4] Em Joel:
“O que sois para Mim, Tiro e Sidon, e todos os limites da Filisteia? Acaso reclamais vós uma retribuição de Mim? Muito cedo trarei a vossa retribuição em vossa cabeça; porque a Minha prata e o Meu ouro tomastes, e os Meus bens desejáveis introduzistes em vossos templos, e os filhos de Judá e os filhos de Jerusalém vendestes aos filhos dos javaneus, para os fazerdes afastar de sobre os limites deles” (3:4–6);
aí é evidente o que se entende pelos ‘filisteus’ e por toda a ‘Filisteia’ ou os seus limites; ‘prata e ouro’, aí, são as coisas espirituais e celestes da fé; os ‘bens desejáveis’ são as cognições deles; que os tenham ‘introduzido em seus templos’ é que eles os tiveram e pregaram a seu respeito; e ‘que venderam os filhos de Judá e os filhos de Jerusalém’ é que não tiveram nenhum amor e nenhuma fé; ‘Judá’ é, na Palavra, o celeste da fé, ‘Jerusalém’ é o espiritual da fé daí, que foram removidos para longe de seus limites. Além de outras passagens nos Profetas, como em Jr. 25:20; 47:1 até o fim; Ez. 16:27, 57; 25:15–16; Am. 1:8; Ob. 19; Sf. 2:5; Sl. 83:7; 87:4. E, a respeito dos kaftoreus, em Dt. 2:23; Jr. 47:4; Am. 9:7.