. Que ‘as palavras [eram] uma só’ signifique que havia uma só doutrina no particular, vê-se pelas coisas que foram ditas anteriormente. Com efeito, o ‘lábio’ significa a doutrina no geral, como se mostrou; ‘as palavras’, por sua vez, são a doutrina no particular, ou as coisas particulares da doutrina; pois os particulares nada fazem (como foi dito), apenas tendem para um único fim, que é amar o Senhor sobre todas as coisas e o próximo como a si mesmo, pois então os particulares pertencem aos gerais. [2] Que ‘palavra’ signifique toda a doutrina a respeito da caridade e, por isso, da fé que procede dela, e que ‘as palavras’, as coisas que são da doutrina, vê-se em Davi: “Confessar-Te-ei na retidão do coração, aprendendo eu os juízos da Tua justiça; os Teus estatutos guardarei; ... No que [é] puro ficará o menino na Sua senda, para guardar de perto a Tua palavra. De todo o meu coração eu Te procurei; não Me faças afastar dos Teus preceitos. No meu coração escondi a Tua palavra, para que [eu] não peque contra Ti. Bendito [és] Tu, JEHOVAH, ensina-me os Teus estatutos; pelos meus lábios contei todos os juízos da Tua boca. No caminho dos Teus testemunhos regozijei-me; ... Nos Teus mandamentos medito; e considero os Teus caminhos. Nos Teus estatutos me deleito, não esqueço a Tua palavra” (Sl. 119:6–17 [Em JFA 119:7–16]). [Onde] ‘palavra’ está no lugar da doutrina no geral; aí, porque se distinguem os ‘preceitos’, os ‘juízos’, os ‘testemunhos’, os ‘mandamentos’, os ‘estatutos’, o ‘caminho’, os ‘lábios’, fica claro que todas essas coisas são da Palavra, ou da doutrina. Com efeito, em outros lugares na Palavra, por toda a parte elas significam coisas distintas. [3] No mesmo: “Cântico de amor [...]: Quis o meu coração uma palavra boa, ... a minha língua [é] o estilo de um escritor hábil. Belo és mais do que os filhos do homem; derramou-se a graça sobre os teus lábios, ... ...cavalga sobre a palavra da verdade e da mansidão de justiça, ensinar-te-á maravilhas a tua destra” (Sl. 45:1–3, 5 [Em JFA, 45:1, 2, 4]); ‘Cavalgar sobre a palavra da verdade e da mansidão de justiça’ é ensinar a doutrina do vero e do bem. Aqui, como em outros lugares na Palavra, as expressões ‘palavra’, ‘boca’, ‘lábio’ e ‘língua’ significam coisas distintas; que sejam da doutrina a respeito da caridade, vê-se, porque é chamada ‘o cântico dos amores’, acerca da qual doutrina se predica ‘uma beleza acima dos filhos do homem’, ‘uma graça de lábios’, ‘uma destra que ensina maravilhas’. [4] Em Isaías: “JEHOVAH enviou a palavra a Jacó, e ela caiu em Israel” (9:8); a ‘palavra’ é a doutrina do culto interno e externo; aí, ‘Jacó’ é o culto externo, e ‘Israel’, o culto interno. Em Mateus: “Jesus disse: Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus” (4:4). No mesmo: “Quando alguém ouve a Palavra do Reino e não a entende, vem o maligno e arrebata o que foi semeado no coração” (Mt. 13:19); aí também se trata da Palavra nos vers. 20–23. No mesmo: “O céu e a terra passarão, mas as Minhas palavras não passarão” (Mt. 24:35); aí ‘palavra’ está no lugar da ‘doutrina do Senhor’, e ‘palavras’, no lugar das coisas que pertencem à Sua doutrina. [5] Por isso os preceitos do Decálogo são chamados ‘palavras’ em Moisés: “Escreveu JEHOVAH sobre as tábuas as Palavras da Aliança, as Dez Palavras” (Êx. 34:28); No mesmo: “Anunciou a vós a Sua aliança que vos mandou praticar: as Dez Palavras; e escreveu-as sobre duas tábuas de pedra” (Dt. 4:13; 10:4). No mesmo: “Cuidado contigo, e guarda bem a tua alma, para que talvez não esqueças as palavras que os teus olhos viram” (Dt. 4:9). E, além disso, em outros lugares.