Texto
. Que ‘encontraram um vale na terra de Sinar’ signifique que o culto se tornava mais impuro e profano, vê-se pela significação do ‘vale’ e pela significação da ‘terra de Sinar’. Quanto ao que diz respeito ao vale: na Palavra, as ‘montanhas’ significam o amor ou a caridade, porque representam as coisas mais elevadas, ou o que é o mesmo, as coisas íntimas no culto, como se mostrou acima (n. 795); daí, o ‘vale’ significa o que está abaixo das montanhas, ou o que é inferior, ou o que dá no mesmo, o que é exterior no culto. A ‘terra de Sinar’, por sua vez, significa o culto externo no qual está o profano, como se mostrou anteriormente (n. 1183). Assim, aqui, “que tenham encontrado um vale na terra de Sinar” significa que o culto se tornava mais impuro e profano.
[2] No primeiro versículo, tratou-se da igreja: que ‘havia para ela um só lábio’ e ‘as palavras eram uma só’, ou seja, havia uma única doutrina no geral e no particular. Porém, neste versículo, trata-se do declínio da igreja, o que se expressa por “ao caminharem do oriente”, isto é, que eles tinham começado a se afastar da caridade, pois tanto quanto a igreja, ou o homem da igreja, se afasta da caridade, tanto mais o seu culto se afasta da santidade, ou tanto mais o seu culto se aproxima do impuro e do profano. Que ‘encontraram um vale na terra de Sinar’ signifique o declínio da igreja ou do culto para o profano, vem daí o porquê: vem de o vale ser alguma coisa baixa entre as montanhas, por meio das quais são significadas as santidades do amor, ou as santidades da caridade no culto, como foi dito. É o que também se pode ver pela significação do ‘vale’ na Palavra, onde se expressa essa palavra, na língua original, por meio de certos nomes que significam profanações maiores ou menores no culto quando são tomados nesse sentido44.
[3] Que os ‘vales’ signifiquem tais coisas, pode-se ver em Isaías:
“Peso do vale da visão… pois [é] um dia de tumulto e de opressão e de perplexidade pelo Senhor JEHOVIH Zebaoth no vale da visão” (22:1, 5).
O ‘vale da visão’ designa as fantasias e os raciocínios pelos quais o culto é falsificado e, por fim, profanado. Em Jeremias:
“Como dizes: Não estou manchada, após os Baalins não andei? Vede o teu caminho no vale” (2:23);
o ‘vale’ designa o culto impuro. No mesmo:
“Edificaram os [lugares] altos de Tofeth, que [está] no vale do filho de Hinom; por isso, eis dias que vêm e não se chamará mais Tofeth ou o vale do filho de Hinnom, mas o vale da matança” (Jr. 7:31, 32; 19: 6);
[4] O ‘vale de Hinnom’ está no lugar do inferno e, então, no lugar da profanação do vero e do bem. Em Ezequiel:
“Assim disse o Senhor JEHOVIH às montanhas e às colinas, aos [lugares] cavados e aos vales: Eis-Me [aqui], Eu trazendo sobre vós a espada, e destruirei os vossos altos” (6:3).
No mesmo:
“[...] Darei a Gog um lugar ali de sepulcro em Israel, o vale dos transeuntes, voltado para o oriente do mar; ...e chamarão o vale da multidão de Gog” (Ez. 39:11, 15);
onde se trata do culto nos externos; o ‘vale’ designa um tal culto. Mas quando o culto ainda não se tornou tão profano ele é expresso pelo nome de vale que [é empregado] neste versículo; como em Isaías:
“Abrirei, sobre os outeiros, rios, e no meio dos vales porei fontes, [farei] o deserto como um tanque de águas, e a terra seca, em riachos de águas” (41:18);
onde se trata dos que estão na ignorância (ou fora das cognições da fé e da caridade) mas que, contudo, estão na caridade; eles são designados aqui pelo vale. Em Ezequiel, 37:1 o vale tem semelhante significação.