ac 1295

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. Que ‘disse o varão ao companheiro’ signifique que se começou, ou seja, que eles tinham começado a fazer, é uma consequência da ligação das coisas. Neste versículo, trata-se do terceiro estado da igreja, quando os falsos tinham começado a reinar, e alguns falsos provenientes das cobiças. Existem dois começos dos falsos: um proveniente da ignorância do vero, o outro a partir das cobiças. O falso proveniente da ignorância do vero não é tão danoso como o falso proveniente das cobiças, pois o falso da ignorância vem ou disso, que dessa tal maneira se tenha sido instruído desde a infância, ou disso, que, por causa de diversas ocupações, se desviou para que não se tenha inquirido se [o que se aprendeu] seria o vero; ou porque não houve faculdade de discernir a respeito do vero e do falso. As falsidades que vêm daí não causam um grande dano, contanto que [o homem] não tenha se confirmado por muitos meios e, assim, tenha se persuadido por alguma cobiça incitante que protege esses falsos: é que, desse modo, ele torna densa a nuvem da ignorância e a muda em trevas de tal modo que não pode ver o vero.
[2] Porém, há o falso das cobiças quando a fonte do falso é a cobiça, ou o amor de si e do mundo; por exemplo, quando alguém toma algum doutrinal, o professa publicamente a fim de cativar os ânimos e dirigi-los e, em seu favor, explica ou perverte o doutrinal e o confirma, tanto a partir dos conhecimentos por meio dos raciocínios, quanto pelo sentido literal da Palavra. O culto que daí provém é profano por mais santo que ele possa parecer no exterior, pois, por dentro, não há o culto do Senhor, mas há o culto de si próprio; nem se reconhece vero algum senão tanto quanto se possa explicar este de modo que lhe favoreça. Tal é o culto que é significado por Babel. Entretanto, sucede coisa muito diferente aos que nasceram e foram educados em um tal culto e que não sabem que ele é falso, mas que vivem na caridade; em sua ignorância há a inocência, e em seu culto há o bem proveniente da caridade. O profano do culto não é, portanto, predicado do próprio culto, mas sim da qualidade de quem está no culto.

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