. Que ‘isto [é] o começo deles para fazer’ signifique que eles começam agora a se tornar diferentes, vê-se pela série das coisas. Aqui, ‘o começo para fazer’ significa o pensamento ou a intenção, por conseguinte, o fim, assim como também se vê pelas palavras que imediatamente se seguem: “e agora nada lhes será proibido de tudo que cogitaram fazer”. Que no sentido interno seja significado o fim, daí vem, porque pelo Senhor não é considerada outra coisa no homem senão o fim. Sejam quais forem os seus pensamentos e as suas ações, que variam de mil modos diferentes, contanto que o fim seja bom, eles são todos bons; porém, se o fim é mau, eles são todos maus; o fim é o que reina em cada uma das coisas que o homem pensa e faz. Como os anjos que estão com o homem pertencem ao Senhor, eles não governam outra coisa no homem a não ser os fins dele; quando eles os governam, eles governam também os seus pensamentos e os seus atos, pois todos eles pertencem ao fim. O fim, no homem, é a sua vida mesma, todas as coisas que ele pensa e faz vivem pelo fim, porque, como se disse, pertencem ao fim; razão por que qual é o fim tal é a vida do homem. O fim outra coisa não é senão o amor, pois o homem não pode ter por fim outra coisa senão o que ele ama. Quem pensa de modo diferente do que pratica tem, contudo, por fim o que ele ama; na própria dissimulação, ou dolo, há um fim, que é o amor de si próprio ou o amor do mundo e, por conseguinte, o prazer da vida dele, que está nesses amores. Cada um pode concluir a partir daí que a vida do homem seja tal qual é o seu amor. São essas as coisas que são então significadas por ‘o começo para fazer’.