Texto
. Que ‘confundamos o lábio deles’ signifique que o vero da doutrina é nulo, pode-se ver pela significação do ‘lábio’, que é a doutrina, a respeito da qual se tratou acima (vers. 1); daí resulta que ‘confundir os lábios’ seja confundir as coisas que pertencem à doutrina, isto é, os veros da doutrina. ‘Confundir’ significa, no sentido interno, não só cobrir de trevas, mas também obliterar e dissipar, assim, a ponto de não haver nenhum vero. Quando o culto de si próprio sucede no lugar do culto do Senhor, então não só se perverte todo vero, mas ele também é abolido e, por fim, se reconhece o falso em lugar do vero e o mal no lugar do bem, porquanto toda luz da verdade existe pelo Senhor e toda obscuridade existe pelo homem. Quando, no culto, o homem sucede no lugar do Senhor, a luz do vero torna-se obscuridade; e então a luz é vista por eles como obscuridade e a obscuridade como luz.
[2] Tal é também a sua vida depois da morte; a vida do falso é, para eles, como a luz, mas a vida do vero é, para eles, como a escuridão; no entanto, a luz de uma tal vida se muda em completa escuridão quando eles se aproximam do céu. Enquanto eles estão no mundo, eles podem, de fato, falar o vero até com eloquência e com um zelo aparente; e porque tomam uma contínua reflexão sobre si, parece-lhes também pensar a mesma coisa; mas porque o fim mesmo é o culto de si, os pensamentos em favor do fim aspiram que não se reconheça o vero senão tanto quanto houver algo de si próprio no vero. Quando o homem, em cuja boca está o vero, é tal, vê-se que não existe o vero nele; é o que se vê manifestamente na outra vida; ali tais espíritos não só não reconhecem o vero que eles professaram na vida do corpo, mas até têm ódio e o perseguem, e isso na proporção em que o fausto, ou o culto de si, não for suprimido neles.