Texto
. O primeiro gênero, que é angélico e que consiste em que os anjos percebam o que é verdadeiro e bom, percebam o que vem do Senhor, o que vem deles mesmos, então, o que eles pensam, dizem e fazem, quando agem por si mesmos; quanto à origem e qualidade desse primeiro gênero, foi concedido falar com os filhos da Antiquíssima Igreja sobre a sua percepção. Disseram que por eles mesmos eles nada pensem ou possam pensar, e que por eles mesmos não querem nada; mas que percebem todas e cada uma das coisas que pensam e querem, [percebem] o que vem do Senhor e o que vem de outra parte; e que percebam, não apenas quantas coisas vêm do Senhor e quantas vêm como deles mesmos, como também que pelas coisas que veem como deles mesmos, eles percebem de onde elas vêm, quais são os anjos que lhas transmitem, qual a qualidade desses anjos, quais são seus pensamentos com todas as diferenças que os especificam, por conseguinte, qual é o influxo, e muitas outras coisas [cujo número seria impossível dizer]. As percepções desse gênero apresentam numerosas variedades: nos anjos celestes, que estão no amor ao Senhor, há a percepção do bem e, por conseguinte, a percepção de todas as coisas que pertencem ao vero; e como percebem o vero pelo bem, eles não admitem que se fale, nem com mais forte razão, que se raciocine sobre o vero, mas dizem: “Isso é assim” ou “não é assim”; enquanto os anjos espirituais, que também têm a percepção, mas não tal como os anjos celestes, falam sobre o vero e sobre o bem. Contudo, é verdade que eles percebem o vero e o bem, mas é com diferença, pois as variedades dessa percepção são inúmeras. Eis as que se referem às variedades: é que eles percebem se porventura o que eles querem, pensam e fazem vem da vontade do Senhor, ou se porventura de Seu consentimento, ou de Sua permissão, coisas que são muito distintas entre si.