Texto
. O outro gênero de percepção é, como foi dito, o que é comum a todos, aos anjos na mais alta perfeição e aos espíritos conforme a qualidade de cada um deles, e que consiste em que, à primeira aproximação de um outro, eles sabem quem ele é, embora esse nada dissesse. Esse gênero de percepção manifesta-se imediatamente por uma sorte de influxo maravilhoso. Se o espírito é bom, sabe-se não só qual é a sua bondade, como também qual é a sua fé; e quando ele fala, cada uma de suas palavras mostra sua bondade e sua fé; se o espírito é mau, sabe-se qual é a sua malícia e qual é a sua infidelidade, e, quando ele fala, cada uma de suas palavras as desvenda; e isso com tanta evidência que não é possível se enganar. Vê-se alguma coisa semelhante com os homens. Há indivíduos que, às vezes, podem também, pelo gesto, pela fisionomia, pela linguagem de um outro, conhecer o que ele pensa, ainda que sua linguagem ateste outra coisa. Com o homem, essa ciência é natural, derivando a sua origem dessa disposição dos espíritos de perceber, derivando-a assim do espírito do homem e de sua comunicação com o mundo dos espíritos. Essa percepção comunicativa obtém o seu princípio de que o Senhor quer que todos os bens sejam comunicáveis e que todos sejam afetados pelo amor mútuo e, assim, sejam felizes. É daí que uma tal percepção reina universalmente também entre os espíritos.