ac 1408

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. Estas coisas e as seguintes se passaram historicamente assim como elas foram escritas, mas os históricos são representativos; todas as palavras são significativas; é assim que sucede com todos os históricos da Palavra, não só nos livros de Moisés como também nos de Josué, dos Juízes, de Samuel e dos Reis, em todos os quais nenhuma outra coisa aparece senão o histórico; mas, ainda que o histórico esteja no sentido da letra, a verdade é que há no sentido interno arcanos do céu que aí permanecem profundamente ocultos, arcanos que não podem de modo algum ser vistos enquanto a mente for retida pelos olhos nos históricos, e que não se revelam antes senão quando a mente é afastada do sentido da letra. Dá-se com a Palavra do Senhor como com um corpo no qual está uma alma viva; as coisas que pertencem à alma não se manifestam enquanto a mente está presa a coisas corporais a tal ponto que, dificilmente se crê ter uma alma, e se crê ainda menos que ela deva viver depois da morte; mas desde que se afaste das coisas corporais, as coisas que pertencem à alma e à vida se manifestam. É também essa a razão pela qual cumpre não só que as coisas corporais devam morrer antes que o homem possa nascer de novo, ou se regenerar, mas também que o corpo deve morrer para que o homem possa vir ao céu e, assim, ver as coisas celestes.
[2] É também o que sucede com a Palavra do Senhor, os seus corporais são as coisas que pertencem ao sentido da letra; quando a mente é retida neste sentido, os internos não são vistos de modo algum; quando, porém, esses corporais estão, por assim dizer, mortos, os internos se apresentam desde esse momento à vista. Contudo, as coisas que pertencem ao sentido da letra são semelhantes àquelas que estão no homem em seu corpo, a saber, semelhantes às coisas dos conhecimentos da memória, que vêm das coisas dos sentidos e que são os vasos comuns nos quais estão os interiores ou os internos. Daí se pode saber que, uma coisa são os vasos e outra coisa as essências que estão nos vasos; os vasos são naturais, as essências contidas nos vasos são coisas espirituais e celestes. Desse modo, também os históricos da Palavra, assim como cada vocábulo na Palavra, são os vasos comuns naturais e até materiais, nos quais estão as coisas espirituais e celestes; essas coisas espirituais e essas coisas celestes nunca vêm à vista a não ser pelo sentido interno.
[3] Cada um pode reconhecer esta verdade pelo simples fato de que há na Palavra muitas coisas que são ditas segundo as aparências e até segundo as falácias dos sentidos; por exemplo, quando se diz que o Senhor se irrita, pune, amaldiçoa, mata e faz outras ações semelhantes, quando no sentido interno é, todavia, o oposto que é significado, isto é, que o Senhor não se irrita, nem pune, e que, com mais forte razão, Ele nunca amaldiçoa, nem mata. Contudo, os que, na simplicidade do coração, creem na Palavra como eles a compreendem na letra, não experimentam por este fato dano algum quando vivem na caridade; provém isso de que a Palavra outra coisa não ensine senão que cada um viva na caridade para com o próximo e que ame o Senhor acima de todas as coisas. Os que fazem isso têm os internos com eles, e, por conseguinte, as ilusões que eles tiraram do sentido da letra se dissipam facilmente.

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