. Que os históricos sejam representativos, mas todas as palavras sejam significativas, é o que se pode ver pelo que se disse acima e foi explicado sobre os representativos e os significativos nos n. 665, 920, 1361. Aqui, porque os representativos começam, se permite expor ainda este assunto em poucas palavras. Na Antiquíssima Igreja, que foi celeste, todas as coisas terrestres e mundanas e então as corpóreas, que de algum modo foram objetos dos seus sentidos, não as consideravam de modo diferente do que como coisas mortas; mas porque todas as coisas que estão em geral e em particular no mundo apresentam alguma ideia do Reino do Senhor e, por conseguinte, alguma ideia das coisas celestes e espirituais, quando os dessa igreja viam essas coisas ou as captavam por algum sentido, eles dirigiam os pensamentos não sobre elas, mas sobre as coisas celestes e espirituais, e até não segundo elas, mas por seu intermédio; assim, com eles, as coisas mortas viviam. [2] Os seus pósteros recolheram de sua boca o que significavam essas coisas e daí fizeram os doutrinais que foram a Palavra da Igreja Antiga depois do dilúvio. Essas coisas na Igreja Antiga foram significativas, pois por meio delas eles se instruíam sobre os internos, e a partir delas é que eles pensaram a respeito das coisas espirituais e celestes. No entanto, depois que essa cognição começou a perecer até esquecerem que tais coisas eram significadas, começaram até mesmo a fazer as mesmas santas e adorar as coisas terrestres e mundanas sem o pensamento a respeito da significação delas; então essas mesmas coisas se tornaram representativas. Daí a igreja representativa, que começou em Abrão e foi depois instituída entre os pósteros de Jacó. A partir disso se pode saber que a origem dos representativos vem dos significativos da Igreja Antiga, e que os significativos da Igreja Antiga vêm das ideias celestes da Antiquíssima Igreja. [3] Pode-se conceber o que são os representativos pelos históricos da Palavra, onde todas as ações desses patriarcas, a saber, de Abrão, Isaque e Jacó, e em seguida de Moisés, dos juízes, dos reis de Judá e de Israel, não são outra coisa senão coisas representativas. Abrão, como foi dito, representa, na Palavra, o Senhor, e porque ele representa o Senhor, ele representa também o homem celeste; Isaque representa do mesmo modo o Senhor e, daí, o homem espiritual; Jacó representa igualmente o Senhor e, daí, o homem natural correspondente ao espiritual. [4] Mas eis o que acontece nos representativos: é que nada se reflete sobre a pessoa, seja ela qual for, mas tudo se reporta sobre a coisa que ela representa; pois todos os reis de Judá e de Israel, quaisquer que eles tenham sido, representavam a ‘Realeza do Senhor’, e todos os sacerdotes, quaisquer que eles tenham sido, o ‘Sacerdócio do Senhor’; assim eles puderam, tanto os maus como os bons, representar o Senhor e as coisas celestes e espirituais de Seu Reino, pois os representativos (como foi dito e demonstrado antes) eram absolutamente separados da pessoa. Daí resulta, pois, que todos os históricos da Palavra sejam representativos, e porque eles são representativos, segue-se que todas as palavras da Palavra sejam significativas, isto é, que no sentido interno elas signifiquem coisa diferente do que no sentido da letra.