ac 1416

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. ‘Far-te-ei grande nação’; que signifique o reino nos céus e nas terras, é o que se pode ver pela significação de ‘nação’ que, no sentido interno, significa o celeste do amor e o bem procedente daí, por conseguinte, todos aqueles, no universo, com os quais há o celeste do amor e da caridade. Aqui, porque no sentido interno se trata do Senhor, se entende todo celeste e todo bem procedente daí, por conseguinte, do Seu Reino, que está dentro daqueles que estão no amor e na caridade. No sentido supremo, é o Senhor mesmo Que é a grande nação, porque é o celeste mesmo e o bem mesmo; com efeito, todo bem do amor e da caridade vem d’Ele só; razão por que o Senhor é o Seu próprio Reino, isto é, que Ele é tudo em todas as coisas de Seu Reino, como também é reconhecido por todos os anjos no céu. Vê-se, agora, por esse modo, que ‘far-te-ei grande nação’ significa o Reino do Senhor nos céus e nas terras.
[2] Que a ‘nação’, no sentido interno, onde se trata do Senhor e dos amores celestes, signifique Ele mesmo e todos os celestes, é também o que se pode ver pelo que foi relatado sobre a significação da nação e das nações (n. 1258, 1259); é também o que se pode ainda confirmar por estas coisas acerca de Abrahão nas seguintes passagens:
“Teu nome não será chamado mais Abrão, e será o teu nome Abrahão, porque te pus por pai de uma multidão de nações” (Gn. 17:5);
é do nome de JEHOVAH que é tomada a letra ‘h’ para Abrahão para a representação de JEHOVAH, ou seja, do Senhor. Semelhantemente a respeito de Sarai:
“Não chamarás o nome dela Sarai, mas Sarah [é] o nome dela. E abençoá-la-ei, e também te darei, dela, um filho, assim abençoá-lo-ei, e estará em nações; reis de povos [haverá] dela” (Gn. 17:15, 16);
onde as ‘nações’ são as coisas celestes do amor, e os ‘reis de povos’, as coisas espirituais da fé que daí procedem, as quais pertencem ao Senhor somente.
[3] Igualmente se diz de Jacó:
“Não se chamará mais o teu nome Jacó, mas Israel será o teu nome, e chamou o nome dele Israel. E disse Deus: Eu [sou] o Deus fulminador, cresce e multiplica; uma nação e uma assembleia de nações se fará de ti, e reis sairão de teus lombos” (Gn. 35:10, 11);
onde ‘Israel’ representa o Senhor; que Israel, no sentido supremo, seja o Senhor mesmo, é o que alguns conhecem; e como é o Senhor mesmo, é evidente que a ‘nação’ e a ‘assembleia de nações’, assim como os ‘reis saídos de seus lombos’, são as coisas celestes e espirituais do amor e, por conseguinte, todos que estão nos celestes e nos espirituais do amor. Diz-se a respeito de Ismael, filho de Abrão oriundo de Hagar:
“Ao filho da serva, torná-lo-ei uma nação, porque é semente tua” (Gn. 21:13, 18);
o que é representado por Ismael ver-se-á aí neste lugar; a ‘semente de Abrão’ é o amor mesmo a partir do qual se predica a nação segundo a geração de Ismael.
[4] Que ‘nação’ signifique as coisas celestes do amor, vê-se em Moisés:
“Se escutando escutardes a Minha voz, e guardardes a Minha aliança, e sereis para Mim um pecúlio dentre todos os povos; ... e vós sereis para Mim um reino de sacerdotes e uma nação santa [...]” (Êx. 19:5, 6);
onde o ‘reino de sacerdotes’, que é o Reino do Senhor nos céus e nas terras, sendo predicado das coisas celestes do amor, é manifestamente chamado ‘nação santa’, enquanto o Reino do Senhor, por sua Realeza, é predicado das coisas espirituais do amor e é chamado ‘povo santo’; por isso é que os reis oriundos dos lombos, como se viu antes, são as coisas espirituais. Em Jeremias:
“Se retirarem estes estatutos de diante de Mim, dito de JEHOVAH, também a semente de Israel cessará, para que não seja uma nação diante de Mim todos os dias” (31:36).
A ‘semente de Israel’ é o celeste da caridade, e quando a caridade cessa não há mais ‘nação’ diante do Senhor.
[5] Em Isaías:
“O povo, os que andavam nas trevas viram uma grande luz; [...] multiplicaste a nação” (9:2, 3).
Trata-se especificamente da igreja das nações e, de modo geral, de todos que estão na ignorância mas que vivem na caridade, estes são uma ‘nação’ porque pertencem ao Reino do Senhor. Em Davi:
“Para que veja o bem dos teus eleitos, para que [me] alegre na alegria da tua nação, para que [me] glorie na tua herança” (Sl. 106:5).
Aí, manifestamente, a nação é o Reino do Senhor. A significação da nação, no fato de ser ela o celeste do amor e o bem dele procedente, obteve sua origem deste perceptivo, que os homens da Antiquíssima Igreja estiveram distribuídos em casas, famílias e nações; e assim é que percebiam o Reino do Senhor; e como eles percebiam o Reino do Senhor, eles percebiam o celeste mesmo; a partir desse perceptivo nasceu o significativo, e a partir do significativo nasceu o representativo.

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