ac 1480

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. ‘E os egípcios viram a mulher, que ela [era] muito bela’; que signifique que o conhecimento das cognições é tal que ele agrada a si mesmo, é evidente pelo que se disse no vers. 11, onde se viu que tal é o conhecimento na meninice. Há, com efeito, no conhecimento, como alguma coisa de inato — porque essa alguma coisa é inata no homem — que faz com que ele agrade primeiro, antes de todas as coisas, pelo único fim de saber. Tal é cada homem, o espírito se apraz muito em saber, ainda que antes ele dificilmente o deseje; é a sua comida, pela qual ele se sustenta e se restabelece, como o homem externo pela comida terrestre. Esse alimento, que pertence ao espírito do homem, é comunicado ao homem externo com o fim de que o homem externo se adapte ao homem interno. Contudo, essas comidas se sucedem nesta ordem: a comida celeste é todo o bem do amor e da caridade procedente do Senhor; a comida espiritual é todo vero da fé; é dessas comidas que vivem os anjos; daí vem uma comida que é igualmente celeste e espiritual, mas de um grau angélico inferior, de que vivem os espíritos angélicos; desta procede, por sua vez, uma comida celeste e espiritual de um grau ainda mais baixo, que pertence à razão e, portanto, ao conhecimento; é desta comida que vivem os bons espíritos; em último lugar vem a comida corporal, que é própria ao homem quando ele vive no corpo; essas comidas se correspondem maravilhosamente. Daí se vê claramente o porquê e como o conhecimento se apraz muito a si mesmo; pois sucede com o conhecimento como com o apetite e o gosto; por isso mesmo é que a ação de comer, no homem, corresponde aos conhecimentos no mundo dos espíritos, e que o apetite e o paladar correspondem ao desejo dos conhecimentos; é o que se vê pela experiência a respeito da qual se falará, na continuação, pela Divina Misericórdia do Senhor55.

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