. Também fui informado de que modo se adquirem essas esferas que se tornam tão sensíveis na outra vida. A fim de que se compreenda, sirva como exemplo: Quem formou uma opinião de si próprio e de sua superioridade acima dos outros se compenetra, enfim, de um tal modo de ser e, por assim dizer, de uma tal natureza que, a qualquer parte que vá, contempla a si próprio não só quando olha os outros como também quando conversa com eles. Esse modo de ser e essa natureza se mostram a princípio abertamente, depois não claramente, para que não se saiba; mas o certo é que do mesmo modo que elas reinam nas menores coisas de sua afeição e de seu pensamento, assim também elas reinam em seus menores gestos e nos menores tons de sua linguagem: os homens podem ver isso nos outros. Eis o que faz a esfera na outra vida. Essa esfera que é percebida, contudo, não o é senão tanto quanto o Senhor o permite. Dá-se o mesmo com as outras afeições, por isso há tantas esferas quantas afeições há e quantas composições de afeições, que são inúmeras. A esfera de um espírito é como a sua imagem estendendo-se fora dele e até mesmo como a imagem de todas as coisas que estão nele; contudo, o que se apresenta à vista e à percepção no mundo dos espíritos é somente alguma coisa comum; é no céu que se conhece qual é o espírito quanto às coisas particulares; mas somente o Senhor é Quem sabe qual ele é quanto às coisas singulares.