Texto
. Cada espírito e, com mais forte razão, cada sociedade de espíritos tem a sua esfera segundo os princípios e as persuasões que ele adotou; essa esfera é a dos princípios das persuasões. Os maus gênios têm a esfera das cobiças. A esfera dos princípios e das persuasões é tal que ela, quando atua sobre um outro espírito, faz com que os veros sejam como falsos, e ela desperta tudo que pode confirmar essa aparência, de sorte que ela induz a crer que os falsos são veros e que os males são bens.
[2] Pude ver assim, quanto um homem pode ser facilmente confirmado nos falsos e nos males se ele não crê nos veros que procedem do Senhor. Tais esferas são mais ou menos densas conforme a natureza das falsidades. Essas esferas não podem de modo algum concordar com as esferas dos espíritos que estão nos veros; se elas se aproximam, há logo antipatia. Se, por permissão, a esfera do falso predomina, os bons caem na tentação e na ansiedade. Percebi também a esfera da incredulidade, ela é tal que os que estão nessa esfera nada creem do que se diz, e que eles creem apenas o que se apresenta à sua vista. Há ainda a esfera dos que só creem nas coisas que caem sob os seus sentidos.
[3] Vi também um espírito envolto de escuridão, sentado perto de uma mó e que parecia moer farinha; ao seu lado vi pequenos espelhos e vi depois certas coisas produzidas por meios fantásticos, mas eram aéreas. Eu me admirava de que tal espírito pudesse ser, mas ele se chegou a mim e me disse que era ele que estava sentado perto da mó, e que ele imaginara ideias segundo as quais tudo em geral e em particular não passava de fantasia, e que não existia coisa alguma real; é por isso que ele se tornara tal.