. Antes de ser aberta a minha vista, eu apenas podia, a respeito das inúmeras coisas que aparecem na outra vida, formar para mim uma ideia diferente das dos outros homens; assim é que eu pensava que a luz e todas as coisas que tiram a sua existência da luz, exceto as sensitivas, não podiam de modo algum existir na outra vida; e isso pela ideia fantástica que os eruditos forjaram sobre o imaterial, que eles aplicam tão cuidadosamente aos espíritos e a tudo que diz respeito à sua vida, de onde nunca pode resultar outra concepção senão que o espírito, sendo imaterial, era ou alguma coisa de tal modo obscura que ele não poderia ser compreendido por ideia alguma, ou que era alguma coisa nula, porque é isso que esse imaterial encerra, quando a verdade é absolutamente o contrário. Com efeito, se os espíritos não tivessem órgãos, e se os anjos não fossem em substâncias organizadas, eles não teriam podido falar, nem ver, nem pensar.