Texto
.
Sentido Interno
*1540. Os HISTÓRICOS verdadeiros da Palavra, como foi dito, começaram no capítulo precedente (12). Até ali, ou antes, até Éber, os históricos eram compostos. Os que são agora continuados a respeito de Abrão significam, no sentido interno, o Senhor e até mesmo a Sua primeira vida tal qual ela foi antes que o Seu Homem Externo fosse conjunto ao Seu Homem Interno a ponto de se tornarem uma só coisa, isto é, antes que o Seu Homem Externo se tornasse igualmente celeste e Divino. São os históricos que representam o Senhor; as palavras mesmas são significativas das coisas que são representadas, mas como são históricos, a mente do leitor não pode deixar de estar retida nesses históricos, principalmente hoje, que a maioria dos homens, e quase todos, não crê que há um sentido interno e pensa menos ainda que esse sentido existe em cada palavra, e talvez, não o reconhecerá ainda, apesar de que até aqui se tem manifestamente mostrado. E isso também porque o sentido interno se mostra de tal modo afastado do sentido da letra, que dificilmente é conhecido. Contudo, pode-se saber somente no fato que é absolutamente impossível que os históricos sejam a Palavra, porque nesses históricos, separados do sentido interno, não há mais de Divino do que em qualquer outro livro de história; mas o sentido interno faz com que o Divino esteja neles.
[2] Que o sentido interno seja a Palavra mesma, é o que se vê por muitas passagens que foram desvendadas, por exemplo:
“Do Egito chamei o Meu Filho” (Mt. 2:15).
Sem falar de muitas outras. O Senhor mesmo, depois da Ressurreição, explicou também aos discípulos o que tinha sido escrito d’Ele em Moisés e nos Profetas (Lc 24:27); e mostra assim que nada há de escrito, na Palavra, que não Lhe diga respeito, diga respeito a Seu Reino e à igreja. São essas as coisas espirituais e celestes da Palavra; mas as coisas que o sentido da letra encerra são, pela maior parte, coisas mundanas, corporais e terrestres, que não podem de modo algum constituir a Palavra do Senhor. Hoje, os homens são tais que eles absolutamente não percebem senão essas sortes de coisas; dificilmente eles sabem em que consistem as coisas espirituais e celestes. Sucedia coisa muito diferente com o homem da Antiquíssima e Antiga Igreja, se ele vivesse hoje e lesse a Palavra, ele prestaria atenção não ao sentido da letra, que ele consideraria como nulo, mas ao sentido interno. Os que pertenceram a essas igrejas ficam sumamente admirados de que alguém perceba a Palavra de outro modo. É também por isso que todos os livros dos antigos foram escritos de modo que no sentido interior eles apresentassem coisa diferente da letra.
* * * * * * **