ac 1551

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. ‘De prata’; que signifique os veros, vê-se pela significação da ‘prata’, que é o vero. Os antiquíssimos comparavam aos metais os bens e os veros que estão no homem: ao ouro, os bens íntimos (ou celestes), que pertencem ao amor do Senhor; à prata, os veros que daí procedem; ao cobre, os bens mais inferiores (ou naturais); ao ferro, por sua vez, os veros mais inferiores; e eles não só comparavam a esses metais como até os chamavam pelo seu nome. Daí sucedeu que os tempos foram também assimilados a esses mesmos metais e foram chamados séculos de ‘ouro’, de ‘prata’, de ‘cobre’ [ou bronze] e de ‘ferro’, porque é nesta ordem que eles se sucederam. O ‘século de ouro’ foi o tempo da Antiquíssima Igreja, que foi o homem celeste; o ‘século de prata’, o tempo da Antiga Igreja, que foi o homem espiritual; o ‘século de cobre’ [ou ‘de bronze’], o tempo da igreja seguinte; a este sucedeu o ‘século de ferro’. É também o que foi significado pela estátua que Nabucodonosor viu em sonho e “cuja cabeça era de ouro puro, o peito e o braço, de prata, o ventre e as coxas, de bronze, e as pernas, de ferro” (Dn. 2:32, 33). Vê-se no mesmo capítulo desse Profeta, que os tempos da igreja deviam suceder assim, ou que eles sucederam assim.
[2] Que, no sentido interno da Palavra, a prata, em toda a parte onde é mencionada, signifique o vero, e no sentido oposto, o falso, é o que se vê pelas passagens seguintes: Em Isaías:
“Por cobre trarei ouro, e por ferro trarei prata, e por madeira, bronze, e por pedras, ferro; e substituirei o teu censo pela paz, e os teus exatores pela justiça” (60:17);
onde se vê claramente o que significa cada metal; aí se trata do Advento do Senhor, de Seu Reino e de Sua igreja celeste: o ‘ouro em vez do cobre’ é o bem celeste em vez do bem natural; a ‘prata em vez do ferro’ é o vero espiritual em vez do vero natural; o ‘bronze em vez da madeira’ é o bem natural em vez do bem corporal; o ‘ferro em vez de pedras’ é o vero natural em vez do vero sensual. No mesmo:
“Oh, todos [vós] que tendes sede, ide às águas; e [vós] que não tendes prata, comprai e comei!” (Is. 55:1).
‘Os que não têm prata’ designam os que estão na ignorância do vero e estão, contudo, no bem da caridade, como são muitas pessoas dentro da igreja e como são as nações fora da igreja.
[3] No mesmo:
“A Mim as ilhas aguardarão, as naves de Társis, as primeiras, para trazer os teus filhos de longe, a prata deles e o ouro deles com eles, ao nome de JEHOVAH, teu Deus, e ao Santo de Israel” (60:9).
Aí se trata em particular da igreja nova, ou das nações, e em geral do Reino do Senhor; as ‘naves de Társis’ designam as cognições; a ‘prata’, os veros; e o ‘ouro’, os bens; são essas as coisas que eles trarão em nome de JEHOVAH. Em Ezequiel:
“Tomaste os vasos do teu ornato, [feitos] com o Meu ouro e com a Minha prata, que deram a ti, e fizeste para ti imagens de macho” (16:17);
aí o ‘ouro’ é empregado pelas cognições das coisas celestes, e a ‘prata’ pelas das coisas espirituais. No mesmo:
“Tu te ornaste de ouro e prata, e a tua vestimenta [era] de fino linho, e de seda e de bordado” (Ez. 16:13).
Trata-se de Jerusalém, que significa a Igreja do Senhor, é o seu ornato que é assim descrito. No mesmo:
“Eis, tu [eras] sábio, ... nenhum segredo ocultaram a ti, na tua sabedoria e na tua inteligência fizeste para ti riquezas e adquiriste ouro e prata nos teus tesouros” (Ez. 28:3, 4).
Trata-se aí de Tiro, e é evidente que o ouro designa as riquezas da sabedoria, e a prata as riquezas da inteligência.
[4] Em Joel:
“A minha prata e o meu ouro tomastes, e os meus bens desejáveis levastes para os vossos templos” (4:5 [Em JFA, 3:5]).
Trata-se de Tiro, de Sidon e da Filisteia, pelas quais são significadas as cognições, que são o ouro e a prata que levaram para os seus templos. Em Ageu:
“Virão os eleitos de todas as nações, e encherei esta casa de glória; a Mim a prata, a Mim o ouro; grande será a glória desta casa, a posterior mais do que a precedente” (2:(7,) 8, 9);
onde se trata da Igreja do Senhor, a qual se aplicam o ouro e a prata. Em Malaquias:
“Assentar-se-á fundindo e purificando a prata, e purificando os filhos de Levi” (3:3);
aí se trata do Advento do Senhor. Em Davi:
“As palavras de JEHOVAH, [são] palavras puras, prata refinada no cadinho de terra, fundida sete vezes” (Sl. 12:6).
A ‘prata purificada sete vezes’ é a verdade Divina. Ordenou-se aos filhos de Israel que eles, “quando saíssem do Egito, cada mulher pedisse à sua vizinha e à hospedeira de sua casa ‘vasos de prata’ e ‘vasos de ouro’, e vestimentas, e que os pusessem sobre seus filhos e suas filhas, e que despojariam os egípcios” (Êx. 3:22; 11:2, 3; 12:35, 36). Cada um pode ver que nunca se teria dito aos filhos de Israel para furtar e despojar assim os egípcios se isso não tivesse representado alguns arcanos; e pela significação da prata, do ouro, das vestimentas e do Egito, pode-se ver quais são esses arcanos e que eles representavam alguma coisa semelhante ao que representa aqui Abrão nisto, “que ele estava pesado de prata e de ouro tirados do Egito”.
[5] Assim como a prata significa o vero, no sentido oposto, ela significa também o falso, pois os que estão no falso pensam que o falso é o verdadeiro; é também o que se vê nos Profetas: Em Moisés:
“Não cobiçarás das nações a prata e ouro e não [as] tomarás para ti, para que não te seja um dolo, pois tal coisa [é] abominação a JEHOVAH, teu Deus; ... detestando detestarás tal coisa” (Dt. 7:25, 26).
O ‘ouro das nações’ está no lugar dos males, e a ‘prata’ delas, no dos falsos. No mesmo:
“Não fareis comigo deuses de prata; e deuses de ouro não os fareis para vós” (Êx. 20:23).
O que, no sentido interno, não significa outra coisa senão os falsos e as cobiças; os falsos são os ‘deuses de prata’ e as cobiças são os ‘deuses de ouro’. Em Isaías:
“Nesse dia, rejeitarão cada um os ídolosda sua prata e os ídolos do seu ouro que fizeram para vós as vossas mãos, [é] um pecado” (31:7).
Os ‘ídolos de prata’ e os ‘ídolos de ouro’ são tomados pelos falsos e as cobiças; ‘que as vossas mãos tinham feito’, quer dizer que eles provinham do proprium. Em Jeremias:
“Eles se enfatuam e enlouquecem, ensinamento das vaidades é tal madeira; a prata estendida de Társis é trazida, e o ouro de Ufaz [a ser posto] em obra por um obreiro e pelas mãos de um fundidor; o jacinto e a púrpura [são] a vestimenta deles, toda ela [é] obra dos sábios” (10:8, 9).
Aí é bem evidente que a prata e o ouro designam as mesmas coisas.

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