Texto
. ‘Como a terra do Egito vindo de Zoar’; que signifique as coisas do conhecimento provenientes das afeições do bem, pode-se ver pela significação do ‘Egito’ no bom sentido (n. 1462), de que se falou (n. 1164, 1165), que é o conhecimento; e pela significação de ‘Zoar’, que é a afeição do bem. Zoar era uma cidade pouco afastada de Sodoma, e para onde Ló fugiu também quando foi arrancado pelos anjos no incêndio de Sodoma, assim como relata o Gênesis (19:20, 22, 30). Zoar, além disso, é mencionada no Gn. 15:2, 8; Dt. 34:3; Is. 15:5; Jr. 48:34; e em toda a parte ela significa a afeição; e como Zoar significa a afeição do bem, ela significa também a afeição do mal no sentido oposto, o que é comum.
[2] Há no homem externo três coisas que o constituem, a saber, o racional, o que pertence ao conhecimento e o sensual externo; o racional é interior, o que é do conhecimento é exterior, o sensual é mais exterior. É pelo racional que o homem interno é conjungido ao homem externo; tal qual é o racional tal é a conjunção. O sensual externo é aqui a vista e o ouvido; mas o racional é nulo em si se a afeição não influi nele e não o faz ativo para que ele viva; segue-se que tal qual é a afeição tal é o racional. Quando a afeição do bem influi, ela se torna, no racional, afeição do vero; é o contrário quando é a afeição do mal. Como o que é do conhecimento se aplica ao racional e é seu instrumental, daí resulta também que a afeição influa no que pertence ao conhecimento e o disponha, pois nada vive no homem externo senão a afeição; e isso porque a afeição do bem desce do celeste, isto é, do amor celeste que dá vida a tudo em que ele influi, ele até [a] dá às afeições do mal, ou às cobiças. Com efeito, o bem do amor influi continuamente do Senhor e, de fato, por meio do homem interno no homem externo. Mas o homem que está na afeição do mal, ou na cobiça, perverte o bem; contudo, a vida proveniente permanece. Para ajudar a entender isto, tiremos uma comparação dos objetos que recebem os raios do Sol. Há tais desses objetos que os recebem de um modo belíssimo e que os mudam em cores brilhantíssimas, por exemplo: o diamante, o rubi, o jacinto, a safira e outras pedras preciosas; ao contrário, há objetos que não recebem assim os raios do Sol, mas que os mudam em cores horrendas. É possível também se convencer pelos gênios dos homens: há os que recebem de um outro os bens com toda a afeição, e os há que os mudam em males. Sendo assim, pode-se ver o que é o conhecimento proveniente das afeições do bem, conhecimento significado pela ‘terra do Egito vindo de Zoar’, quando o racional é como o ‘jardim de JEHOVAH’.