. ‘Porque toda a terra que tu vês, dá-la-ei a ti’; que signifique o reino celeste, que ele pertencia ao Senhor, vê-se pela significação da ‘terra’, e aqui da ‘terra de Canaã’, por isso que se diz “a terra que tu vês”, em que essa terra é o reino celeste. Com efeito, a terra de Canaã representou o Reino do Senhor nos céus, ou o céu, e o Reino do Senhor na terra, ou a igreja; já se tratou dessa significação da terra em outros lugares. Em toda a parte, na Palavra, acham-se evidências de que o reino nos céus e nas terras foi dado ao Senhor; por exemplo, em Isaías: “Um Menino nos nasceu, um Filho se nos deu; e estará o principado sobre o ombro d’Ele, e será chamado o nome d’Ele admirável, conselheiro, Deus, Herói, Pai de eternidade, Príncipe da paz” (9:5 [Em JFA, 9:6]). Em Daniel: “Vendo estive nas visões da noite, e eis que com as nuvens dos céus, veio [um] como o Filho do Homem, e chegou até o Antigo dos dias, e diante d’Ele O fizeram aproximar. E a Ele se deu o domínio, e a glória, e o reino; e todos os povos, nações e línguas O serviram; o domínio d’Ele, domínio eterno que não passará, e o reino d’Ele [reino] que não perecerá” (7:13,14). O Senhor mesmo o diz também em Mateus: “Todas as coisas Me foram dadas por Meu Pai” (11:27; e em Lucas, 10:22); em outra passagem em Mateus: “É-Me dado todo poder no céu e na terra” (28:18). Em João: “Deste ao Filho poder sobre toda carne, para que a todos que Lhe deste, dê-lhes a vida eterna” (17:2, 3). É ainda o que é significado por estar sentado à direita, como em Lucas: “De agora em diante estará o Filho do Homem sentado à direita da virtude de Deus” (22:69). [2] Quanto a que ‘todo poder foi dado ao Filho do Homem nos céus e nas terras’, deve-se saber que o Senhor teve o poder sobre todas as coisas nos céus e nas terras antes de vir a este mundo, porque Ele foi Deus desde a eternidade e JEHOVAH, como Ele mesmo o diz claramente em João: “Agora glorifica-Me Tu, ó Pai, em Ti mesmo, com a glória que Tive em Ti, antes que o mundo fosse” (17:5). E no mesmo: “Amém, amém, vos digo: Antes que Abrahão fosse, Eu fui” (João, 8:58). Com efeito, ele foi JEHOVAH e o Deus da Antiquíssima Igreja, que existiu antes do dilúvio, e foi visto pelos homens dessa igreja; Ele foi também JEHOVAH e o Deus da Antiga Igreja que existiu depois do dilúvio, e foi Aquele Que todos os ritos da Igreja Judaica representavam, Aquele Que era adorado. Contudo, se Ele mesmo diz que todo poder Lhe foi dado no céu e na terra, como se fosse então pela primeira vez, é porque pelo Filho do Homem se entende a Sua Essência Humana que, quando foi unida à Essência Divina, foi também JEHOVAH e recebeu ao mesmo tempo o poder, o que não pode ser feito antes de ter sido glorificado, isto é, antes que a Sua Essência Humana, pela união com a Essência Divina, tivesse assim a vida em Si, e que ela tivesse assim sido feita igualmente Divina e JEHOVAH, assim como Ele mesmo o diz em João: “Como o Pai tem a vida em Si, assim também deu ao Filho ter a vida em Si” (5:26). [3] A Sua Essência Humana, ou o Seu Homem Externo, é aquele que, em Daniel, na passagem citada, é também chamado Filho do Homem, e de que se diz, em Isaías, no lugar citado: “Um Filho nos nasceu e um Filho se nos deu”. Que o reino celeste Lhe seria dado assim como todo poder nos céus e nas terras, é o que agora é visto por Ele mesmo e o que Lhe é prometido; e é isso que significam estas palavras: “Toda a terra que tu vês, dá-la-ei a ti e à tua semente após ti até a eternidade”. Era antes que Sua Essência Humana tivesse sido unida à Sua Essência Divina; e ela Lhe foi unida quando Ele venceu o diabo e o inferno, isto é, quando, por Seu próprio poder e Suas próprias forças, Ele expulsou todo mal, que é o que desune.