ac 1622

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. Quanto ao que diz respeito aos jardins paradisíacos, eles causam admiração. Apresentam-se aos olhos jardins paradisíacos de uma extensão imensa, compostos de árvores de todo gênero, de uma tão grande beleza e de tal encanto que excedem toda ideia do pensamento; e as formas manifestam-se tão vivamente para a vista externa dos espíritos, que não só eles veem como até percebem também cada objeto muito mais vivamente do que a vista dos olhos enxerga objetos semelhantes na terra. Para que eu não tivesse dúvida a esse respeito, fui para lá conduzido. É na região anterior, um pouco mais alto do que o ângulo do olho direito; ali estão os que vivem a vida paradisíaca; e vi tudo em geral, bem como cada coisa em particular; lá se apresentam como em sua mais bela primavera e em sua flor com uma magnificência e uma variedade admirável. Tudo em geral, assim como cada coisa em particular, obtém a sua vida dos representativos, pois nada há que não represente e signifique algum celeste e algum espiritual; assim, tudo afeta não só a vista pela amenidade, como também a mente pela felicidade.
[2] Algumas almas recém-chegadas do mundo, duvidando — por causa dos princípios que elas tinham adotado durante a sua vida — que pudessem existir semelhantes coisas na outra vida, onde não há nem madeira nem pedra, foram transportadas a esses jardins, e de lá, conversando comigo, diziam-me, na estupefação que se apoderara delas, que o que elas viam era inefável e que jamais poderiam representá-lo por alguma ideia; que cada objeto espalhava com brilho encantos e felicidades, e isso com variedades que se sucediam. As almas que são introduzidas no céu são, na maioria das vezes, transportadas, antes de tudo, a esses jardins paradisíacos. Contudo, os anjos olham esses objetos com outros olhos, não são tais paraísos que fazem as suas delícias, mas são as coisas representativas e, por conseguinte, as celestes e as espirituais a partir das quais eles existem. É com origem nessas coisas celestes e espirituais que a Antiquíssima Igreja teve os seus jardins paradisíacos.

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