Texto
. Pude ver, pelo exemplo seguinte, quanto é difícil levar os homens a crer que existem espíritos e anjos e quanto é ainda mais difícil determiná-los a crer que alguém possa falar com eles. Havia alguns espíritos do número dos mais eruditos quando viviam no corpo, e que então eu tinha conhecido. Com efeito, conversei com quase todos que conheci na vida de seu corpo, com alguns durante semanas, com alguns outros durante o espaço de um ano, absolutamente como se eles vivessem no corpo. Esses espíritos foram postos uma vez em um estado do pensamento semelhante ao em que eles estiveram quando viviam no mundo, o que se faz facilmente na outra vida. Insinuou-se-lhes então se por acaso eles creem que alguém possa falar com os espíritos. Eles diziam então, nesse estado, que é uma fantasia se crer em tal coisa, e persistiam nessa opinião com bastante teimosia. Por esse modo, pude saber quanto é difícil levar alguém a crer que um homem possa falar com os espíritos; e isso porque os homens não creem que haja espíritos e creem ainda menos que eles próprios devem vir depois da morte entre os espíritos; é também o que então causava admiração aos espíritos de quem falo, e, entretanto, eles se achavam no número dos mais sábios. Eles tinham, em presença do povo, falado muito da outra vida, do céu e dos anjos, e até de modo que se teria podido crer que isso lhes era cientificamente muito conhecido; principalmente pela Palavra, onde se trata frequentemente disso.