. Uma das coisas maravilhosas que existem na outra vida é que os espíritos conversam com um homem em seu próprio vernáculo e que se exprimem tão clara e habilmente como se tivessem nascido no mesmo país [eadem terra] e tivessem sido instruídos no mesmo idioma, e isso, quer da Europa, quer da Ásia, quer de uma outra parte do globo. Sucede o mesmo aos que viviam milhares de anos antes da existência dessa língua; ainda mais, os espíritos não sabem a esse respeito outra coisa senão que a língua que eles falam com o homem é a sua língua própria e materna. O mesmo sucede com as outras línguas que o homem possui; mas, à exceção dessas línguas, eles não podem pronunciar uma palavra pertencente a um outro, a menos que isso lhes tenha sido imediatamente concedido pelo Senhor. As crianças que morreram antes de terem conhecido algum idioma também falam igualmente. [2] Mas eis qual é a razão disso: A língua que é familiar aos espíritos não é uma língua de palavras [lingua vocum], é a língua das ideias do pensamento, língua que é universal entre todas as línguas. Ora, quando eles estão com o homem, as ideias do pensamento deles caem nas palavras que estão nesse homem, e isso, com uma correspondência tão exata e de um modo tão bem adaptado, que os espíritos outra coisa não sabem senão que as palavras mesmas lhes pertencem e que eles mesmos falam a sua própria língua, quando, todavia, eles falam a língua do homem. Conversei algumas vezes sobre esse assunto com os espíritos. Todas as almas, desde que entram na outra vida, são dotadas dessa faculdade de poder entender a linguagem de todos que habitam as diferentes partes do globo absolutamente como se lá tivessem nascido, pois percebem tudo que o homem pensa; elas têm ainda outras faculdades que são ainda mais elevadas. É daí que as almas, depois da morte do corpo, podem conversar e confabular com todos os espíritos de qualquer região e língua que eles tenham sido.