ac 1645

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. Quanto à linguagem dos anjos, ela é inefável e está muito acima da linguagem dos espíritos, pois é superior à dos espíritos angélicos; ela não é de modo algum inteligível para o homem enquanto ele vive no corpo. Os espíritos, no mundo dos espíritos, não podem também fazer dela uma ideia, porque ela está acima da perceptibilidade de seu pensamento. A sua linguagem não é a das coisas representadas por algumas ideias tais como as dos espíritos e dos espíritos angélicos, mas é a dos fins e dos usos procedentes destes fins e usos que constituem o que há de principal e de essencial nas coisas. Os pensamentos angélicos são insinuados nesses fins e nesses usos, e aí eles variam com uma variedade infinda; e em tudo que pertence à sua linguagem, tanto em geral como em particular, há um prazer e uma felicidade interiores que procedem do bem do amor mútuo vindo do Senhor, assim como uma beleza e um deleite que procedem do vero da fé que resulta do bem do amor. Os fins e os usos que daí provêm são como recipientes suavíssimos e assuntos deliciosos das variações infindas, e isso por meio de formas espirituais e celestes que é impossível compreender. Eles são mantidos pelo Senhor nesses fins e nesses usos, porque o Reino do Senhor é simplesmente o Reino dos fins e dos usos. É também por isso que os anjos que estão com o homem só dirigem a sua atenção sobre os fins e sobre os usos, e que do pensamento do homem eles só aperfeiçoam os fins e os usos; quanto às outras coisas que são ideais e materiais, eles não se ocupam delas de modo algum, por estarem muito abaixo da esfera.

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