Texto
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Sentido Interno
*1659. Os acontecimentos que estão contidos neste capítulo se apresentam como se não fossem representativos, pois, somente se trata de guerras entre muitos reis, da libertação de Ló por Abrão e, enfim, de Melquisedeque; assim, eles se apresentam como se não encerrassem neles arcano celeste algum; mas a verdade é que no sentido interno eles contêm, como todos os outros, arcanos muitíssimo interiores, que também são, em série contínua, as consequências dos que precedem, e se ligam em série contínua aos que se seguem.
[2] Nos que precedem, tratou-se do Senhor e de Sua instrução; em seguida, de Seu Homem Externo que devia se conjungir ao Seu Homem Interno por meio dos conhecimentos e das cognições; mas porque Seu Homem Externo, como já se disse, era tal que Ele tinha em Si, pelo hereditário proveniente da mãe, coisas que impediam a conjunção e que deveriam, portanto, ser expulsas por meio de combates e tentações antes que o Seu Homem Externo pudesse ser unido ao Seu Homem Interno, ou antes que a Sua Essência Humana pudesse ser unida à Sua Essência Divina, é por isso que neste capítulo se trata desses combates que, no sentido interno, são representados e significados pelas guerras de que aqui se fala. Dentro da igreja se sabe que Melquisedeque representou o Senhor, e que assim é do Senhor que se trata no sentido interno quando se fala de Melquisedeque. Pode-se também concluir que não só as coisas que dizem respeito a Melquisedeque são representativas, como também sucede o mesmo com as outras, pois, na Palavra, não pode ser escrita a menor palavra que não tenha sido enviada do céu e na qual, portanto, os anjos não deixem de ver coisas celestes.
[3] Nos tempos antiquíssimos, numerosos [arcanos] eram também representados pelas guerras que se chamavam ‘guerras de JEHOVAH’, e que não significavam outra coisa senão os combates da igreja e daqueles que eram da igreja, isto é, as suas tentações, as quais não são outra coisa senão combates e guerras contra os males que estão neles mesmos, assim, contra a turba diabólica que excita os males e procura destruir a igreja e o homem da igreja. Que pelas guerras, na Palavra, não se entenda outra coisa, é o que se pode ver claramente no fato que, na Palavra, só se pode tratar do Senhor, de Seu Reino e da igreja, porque a Palavra é Divina e não humana, por conseguinte, celeste e não mundana; não é possível, pois, no sentido interno, entender outras coisas pelas guerras de que fala o sentido da letra. É o que se poderá ver com mais evidência no que vai seguir.
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