ac 1666

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. Que ‘todos estes se ajuntaram no vale de Siddim’ signifique que eles estavam nas imundícies das cobiças, pode-se ver pela significação do ‘vale Siddim’, como se diz no vers. 10: “o vale de Siddim [tinha] poços de poços de betume”, ou seja, que estava ‘cheio de poços de betumes’, os quais significam as imundícies e as impurezas das cobiças (n. 1299); pode-se ver ainda no fato de que Sodoma, Gomorra, Admah e Zeboim significavam as cobiças do mal e as persuasões do falso, que por si mesmas são imundas. Qualquer um dentro da igreja pode ver que elas são imundas; é até o que se vê realmente na outra vida; os espíritos que são tais não têm maior prazer do que habitar em lugares pantanosos, lamacentos e excrementícios, de sorte que a sua natureza traz consigo tais gostos. Semelhantes exalações imundas saem deles e se fazem sentir quando eles se aproximam da esfera dos bons espíritos, principalmente quando eles desejam infestar os que são bons, isto é, se ajuntar para os atacar. Sendo assim, vê-se claramente o que é o vale de Siddim.
[2] ‘Este [é] o mar de sal’; que signifique as torpezas das falsidades que daí provêm, é o que se pode ver pela significação do ‘mar de sal’, que é a mesma coisa que o ‘vale de Siddim’; pois se diz: “o vale de Siddim, este é o mar de sal”; mas acrescentou-se isso porque o mar de sal significa as falsidades que saem das cobiças; não há de fato cobiça que não produza falsidade. A vida das cobiças pode ser assemelhada a um fogo de carvão, e as falsidades à luz escura que sai dele; do mesmo modo que o fogo nunca pode estar sem luz, assim também as cobiças nunca podem estar sem falsidade. Toda cobiça pertence a algum amor vergonhoso, porque se deseja o que se ama, por isso se chama cobiça, e na própria cobiça está a continuidade desse amor; tudo que favorece ou aprova esse amor ou essa cobiça é chamado falsidade. Sendo assim, vê-se claramente por que razão aqui se acrescentou o mar de sal ao vale de Siddim.
[3] Como as cobiças e as falsidades são aquilo que devasta o homem, isto é, o que o priva inteiramente de toda vida do amor do bem e de toda afeição do vero, a devastação é descrita aqui e ali por lugares salgados, como em Jeremias:
“Quem faz da carne o seu braço, ... será como um arbusto despojado na solidão, e não verá quando vem o bem, e habitará nos lugares áridos no deserto, terra salgada e não habitada” (17:5, 6).
Em Ezequiel:
“Seus lamaçais e seus pântanos, e não serão sanados, ao sal serão dados” (47:11).
Em Davi:
“JEHOVAH reduz os rios em desertos e as nascentes das águas, em aridez, a terra frutífera, em salinas, por causa da malícia dos que habitam nela” (Salmo 107:33, 34).
Em Sofonias:
“Moab [será] como Sodoma, e os filhos de Ammon, como Gomorra, um lugar entregue à urtiga, e cova de sal, e uma desolação para a eternidade” (2:9).
[4] Em Moisés:
“Haverá enxofre e sal; incêndio [será] toda a terra; não será semeada, e não germinará, nem se elevará nela erva alguma, como a destruição de Sodoma e Gomorra, de Admah e de Zeboim” (Dt. 29:22 [Em JFA, 29:23]).
Estas palavras, ‘enxofre e sal’, ‘incêndio de toda a terra’, designam a devastação dos bens e dos veros: o enxofre, a devastação do bem, o sal, a devastação do vero; porque o que queima e o que é salgado destroem a terra e as produções da terra do mesmo modo que a cobiça destrói os bens, e a falsidade, os veros. Como o sal significava a devastação, os filhos de Israel tinham também por costume semear sal sobre o lugar das cidades que eles destruíam para que não fossem reconstruídas, como em Juízes, 9:45. Tomado no sentido oposto, o sal significa também o que dá a fertilidade e o que produz com sabor.
*1666a. Vers. 4: “Doze anos serviram a Quedorlaomer, e no décimo terceiro ano rebelaram[-se].” ‘Doze anos serviram a Quedorlaomer’ significa que os males e os falsos não se mostravam na meninice, mas tinham servido aos bens e veros aparentes; ‘e no décimo terceiro ano rebelaram[-se]’ significa o começo das tentações na meninice.

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