. Que ‘doze anos serviram a Quedorlaomer’ signifique que os males e os falsos não se mostravam na meninice, mas tinham servido aos bens e veros aparentes, vê-se pela representação e significação de ‘Quedorlaomer’ e dos que lhe eram sujeitos, de que se tratou (vers. 1); assim como pela significação de ‘doze’. Quedorlaomer, com os que são nomeados (vers. 2), significa os bens e veros aparentes no Senhor, por conseguinte, o Homem Externo quanto a esses bens e a esses veros. Quedorlaomer é aqui tomado pelo conjunto de todos que são nomeados no vers. 2; é também o que se vê pela continuação, e o que resulta do fato de ele ser rei de Elam, cidade de que já se falou e que significa a fé procedente da caridade e, portanto, aqui, o vero e o bem; pois a fé e as coisas pertencentes à fé são simplesmente veros, e a caridade e as coisas pertencentes à caridade são bens. [2] Mas aqui são os bens da infância, e apesar de parecerem bens, não são bens enquanto o mal hereditário os mancha; esse mal é o que lhes é inerente e aderente pelo amor de si e pelo amor do mundo. Tudo que pertence ao amor de si e ao amor do mundo aparece então como um bem; deve-se, contudo, chamá-lo bem enquanto ele estiver em uma criança ou em um menino, que não sabe ainda o que é o bem verdadeiro; a ignorância desculpa, e a inocência faz com que ele apareça como bem. Mas não sucede o mesmo quando o homem foi instruído e que ele sabe o que é o bem e o que é mal. Quedorlaomer significa o bem e o vero como eles estão no menino antes de ter sido instruído. [3] Os ‘doze anos durante os quais eles estiveram sujeitos’ significam durante todo o tempo em que há um tal bem e um tal vero; pois ‘doze’, no sentido interno, significa todas as coisas que pertencem à fé da caridade, ou à fé procedente da caridade; o mesmo se dá com Elam (Gn. 10:22). Enquanto um tal bem e um tal vero estão no homem, esteja ele na meninice ou em qualquer outra idade, os males e os falsos não podem efetuar coisa alguma, isto é, os maus espíritos não se atrevem a fazer a menor coisa, nem introduzir o menor mal, como isso é bastante manifesto nas criancinhas, nos meninos que são probos, e [nos homens que são] simples de coração; ainda que houvesse com eles maus espíritos, ou os mais perversos da turba diabólica, esses espíritos não poderiam, contudo, fazer-lhes a menor coisa, mas são subjugados; e é o que é aqui significado por estas palavras: “Doze anos estiveram sujeitos a Quedorlaomer”. [4] Se então eles são subjugados e servem, é porque o homem ainda não adquiriu a esfera das cobiças e das falsidades, pois não é permitido aos maus espíritos e aos gênios operarem senão no que o homem se apropriou por atos, e não no que lhe vem por hereditariedade; por isso é que, antes de o homem adquirir tais esferas, os maus espíritos estão submetidos; desde o instante, porém, que ele as adquire, eles se lançam nele e procuram dominar, porque então eles estão em sua esfera própria e nela acham um certo prazer ou a sua própria vida: “onde está o cadáver, aí estão as águias.”