Texto
. Que ‘toda a comida deles’ signifique que eles foram privados do poder de pensar o falso, é o que se vê pela significação da ‘comida’. Já se mostrou (n. 56, 57, 58, 680, 681) o que é a comida celeste, espiritual e natural de que se frui na outra vida; essas comidas correspondem também às do corpo; é também por isso que, na Palavra, elas são representadas pela comida e denominadas comida. Mas a comida dos espíritos maus e infernais é o que é o contrário da sabedoria, da inteligência e do verdadeiro conhecimento; é tudo que é falso. É até por essa comida que os maus espíritos se sustentam — o que causa espanto —, e eles se sustentam dela porque é a sua vida; se não lhes for concedido vituperar o vero e até blasfemar, eles não podem viver. Eles não têm, porém, a permissão de pensar e pronunciar o falso, exceto o que provém de seu mal, mas não o que é contra o seu próprio mal, porque isso é um dolo. De fato, eles pronunciam os falsos que vêm de seu próprio mal tanto quanto provêm de sua própria vida, e então se lhes perdoa também isso, porque eles são tais que não podem viver de outro modo.
[2] Quanto a que eles foram privados do poder de fazer o mal e de pensar o falso, eis o que sucede: nos combates das tentações, é permitido aos maus espíritos extrair todo mal e falso que está no homem e combater em seguida a partir do mal e falso do homem; mas quando eles foram vencidos, então não lhes é mais permitido agir do mesmo modo, pois eles percebem imediatamente, no homem, que o bem e vero foi confirmado. Aos espíritos é dada, mais do que ao homem, tal percepção; pela esfera mesma do homem confirmado no vero e bem, eles conhecem logo que sentimentos ele tem, que resposta eles devem receber, e várias outras coisas. É o que se vê claramente no homem regenerado espiritual, com o qual há maus espíritos como com o não regenerado, mas eles foram subjugados e estão em servidão. Eis o que é significado por estas palavras: “eles foram privados do poder de fazer o mal e de pensar o falso”.