Texto
. Que ‘se [não] tomo de alguma coisa que tens’ signifique que nada há de tal com o amor celeste, pode-se ver no que Abrão disse: “que ele não quer tomar coisa alguma do que pertence ao rei de Sodoma”. Abrão representava o Senhor então vitorioso; ele O representava, por conseguinte, nas coisas que pertenciam ao amor celeste e que ele tinha adquirido por Suas vitórias. E o rei de Sodoma representava o mal e o falso, dos quais nada podia estar no Senhor vitorioso ou no amor celeste.
[2] Não é possível ver o que se entende por isso no sentido interno se não se souber como a coisa se passa na outra vida: Nos espíritos maus e infernais reinam o amor de si e o amor do mundo, o que lhes faz crer que eles são os deuses do universo e que têm muito poder. Quando eles foram vencidos, apesar de perceberem que não podem absolutamente coisa alguma, eles conservam, contudo, a opinião do poder e da dominação e imaginam que podem muito contribuir ao poder e ao domínio do Senhor; é por isso que, a fim de que possam reinar também ao mesmo tempo, eles oferecem os seus serviços entre os bons espíritos; mas como com esses maus espíritos não há senão o mal e o falso pelos quais eles creem poder fazer alguma coisa, enquanto no Senhor ou no amor celeste não há coisa alguma que não seja o bem e o vero, responde-se, aqui, ao rei de Sodoma (pelo qual eles são representados), que nada de mal existe no Senhor, ou que o Senhor não tem poder pelo mal e falso.
[3] A dominação proveniente do mal e falso é absolutamente o contrário da dominação que procede do bem e vero: a dominação proveniente do mal e falso consiste em querer fazer com que todos sejam escravos; a dominação proveniente do bem e vero consiste em querer fazer com que todos sejam livres. A dominação proveniente do mal e falso tende à perda de todos; a dominação procedente do bem e vero tende à salvação de todos; de onde se vê que a dominação que provém do mal e falso pertence ao diabo, enquanto a dominação que procede do bem e vero pertence ao Senhor. Que essas duas dominações sejam absolutamente opostas, é o que se pode ver pelas palavras do Senhor em Mateus (12:24–30); assim como, que ninguém pode servir a dois senhores (Mt. 6:24; Lc. 16:13).