. A linguagem dos espíritos celestes não pode influir facilmente em sons articulados ou em palavras no homem, pois não pode se adaptar a uma palavra em que há algum som estridente ou uma reduplicação muito dura de consoantes e que encerra uma ideia proveniente do conhecimento; por isso raramente esses espíritos influem na linguagem, a não ser pelas afeições que, a exemplo de uma água corrente ou de uma brisa, abrandam as palavras. A linguagem dos espíritos que são do meio, entre os celestes e os espirituais, é suave; ela corre como uma dulcíssima atmosfera, agrada os órgãos que recebem e dulcifica as próprias palavras; ela é ao mesmo tempo pronta e segura; a fluidez e a amenidade da linguagem vêm de que o bem celeste é tal em suas ideias e que não há oposição entre a linguagem e o pensamento; toda doçura da harmonia procede, na outra vida, da bondade e da caridade. A linguagem dos espirituais é do mesmo modo fluente, mas não é tão macia nem tão doce; são principalmente estes os que falam.