Texto
. Veio ter comigo um espírito pouco tempo depois de sua saída do corpo, o que pude concluir do fato de ele ainda ignorar que estava na outra vida, crendo viver no mundo. Percebi que ele se entregara às letras e conversei com ele sobre esse assunto; mas ele foi subitamente elevado para cima, o que me causou surpresa. Eu presumia que ele fosse dos que aspiravam coisas elevadas — porque esses tais são ordinariamente elevados — ou que ele tivesse posto o céu em uma região muito elevada; estes sendo costumeiramente de igual modo levados para cima, a fim de que por esse modo eles saibam que o céu está no interno e não no alto.
[2] No entanto, logo percebi que ele tinha sido arrebatado para os espíritos angélicos que estão na frente, um pouco para a direita, na primeira entrada do céu; de lá ele conversou depois comigo, dizendo-me que via coisas demasiado sublimes para que pudessem jamais ser entendidas por mentes humanas. Enquanto isso se efetuava, eu lia o capítulo 1 do Deuteronômio, onde se trata do povo judeu e dos homens que foram enviados para que explorassem a terra de Canaã e o que ela continha. Enquanto eu o lia, ele me disse que não percebia coisa alguma do que está no sentido da letra, mas percebia as coisas que estão no sentido espiritual, e que eram maravilhas que ele não poderia descrever. Ora, isso se passava na primeira entrada do céu dos espíritos angélicos. O que não deve ser, pois, nesse céu mesmo? E o que não deve ser no céu angélico?
[3] Então alguns espíritos que estavam comigo e que anteriormente tinham sido incrédulos a respeito dessas qualidades da Palavra do Senhor, começaram a se arrepender de não ter crido. Diziam-me, naquele estado, que eles acreditavam que era assim, pois tinham ouvido esse espírito dizer que ouvia, via e percebia.
[4] Mas outros espíritos ainda persistiam em sua incredulidade, e diziam que isso não era assim, mas que eram fantasias. Por isso, eles foram também repentinamente arrebatados, e conversando de lá comigo, confessaram que isso não era uma fantasia, pois percebiam realmente que isso era assim e que a percepção era até mais delicada, que nunca é possível a sentido algum tê-la na vida do corpo.
[5] Depois, outros espíritos foram também arrebatados para o mesmo céu, e entre eles havia um que eu tinha conhecido na vida do corpo; ele atestou a mesma coisa, acrescentando mesmo, entre outras particularidades, que, no espanto em que se achava, era-lhe impossível descrever a glória da Palavra em seu sentido interno. Então, expressando-se com um sentimento de comiseração, dizia: “Como é espantoso que os homens nada saibam dessas maravilhas!” Além disso, ele me disse que de lá ele podia considerar a fundo os meus pensamentos e as minhas afeições, nos quais ele percebia mais coisas que não lhe era possível dizer, tais como os influxos, de onde eles procediam e de quem eles me vinham. Como as minhas ideias tinham sido mescladas com ideias terrestres, disse que elas deviam ser absolutamente separadas não falando de muitas outras coisas.