. Alguns espíritos não criam também que a Palavra do Senhor guardasse tais belezas em seu seio, ou interiormente; pois os espíritos, na outra vida, têm a mesma incredulidade que eles tiveram na vida do corpo, e essa incredulidade só se dissipa pelos meios providos pelo Senhor e por vivas experiências. Quando, pois, eu lia alguns Salmos de Davi, a sua intuição interior, ou a sua mente, se abria; estes não foram arrebatados entre os espíritos angélicos; eles percebiam então nesses Salmos os interiores da Palavra e, repletos de admiração, diziam que nunca teriam crido em tais maravilhas. [2] Essa Palavra foi, então, ouvida por muitos outros espíritos, mas estes a compreendiam todos diversamente: com uns ela enchia as ideias de seu pensamento de muitos encantos e deleites, por conseguinte, de uma certa vida conforme a capacidade de cada um e, ao mesmo tempo, de uma eficácia que penetrava até os seus íntimos; com outros esses deleites e encantos produziam tanto efeito que lhes parecia que se elevavam para os interiores do céu, e cada vez para mais perto do Senhor, segundo os graus a que os afetavam os veros, e os bens juntos aos veros. Essa Palavra foi também, no mesmo tempo, apresentada a alguns outros que nada compreendiam de seu sentido interno; eles entendiam somente o sentido externo, ou literal, e a letra lhes parecia privada de vida. Por esse modo se podia ver qual é a Palavra quando o Senhor vivifica — pois então ela tem a eficácia de penetrar até os íntimos — e qual ela é quando o Senhor não a vivifica, no que ela é então uma simples letra e apenas encerra alguma vida.