. Os espíritos que, na vida do corpo, puseram as suas delícias e o seu prazer na Palavra do Senhor, fruem, na outra vida, de um calor: uma sorte de prazer celeste que me foi depois dado sentir. O calor dos que tinham experimentado um pouco de prazer em ler a Palavra foi-me comunicado: era como um calor de primavera, começando pela região dos lábios, espalhando-se sobre o contorno das faces e de lá até as orelhas, e subindo também até os olhos, depois, descendo para a região média do peito. [2] O calor dos que tinham experimentado maior deleite ainda na Palavra do Senhor, e nas coisas interiores dela que o Senhor mesmo tinha ensinado, tendo-me sido também comunicado, era interior, começando pelo peito, subindo daí para o queixo e descendendo para os lombos. O calor dos que tinham sido afetados de um deleite ainda maior era inteiramente mais delicioso ainda, e se assemelhava mais ao da primavera; ele subia dos lombos para o peito, e daí descia ao braço esquerdo até as mãos. Foram os anjos que me instruíam que as coisas se passam assim, e que a sua aproximação proporciona tais calores, ainda que eles próprios não os sintam, porque estão neles do mesmo modo que as crianças, os meninos e os adolescentes têm por hábito não sentir o seu calor (que é maior do que o dos adultos e dos velhos) porque estão nele. [3] Senti também o calor dos que, na verdade, puseram o seu prazer na Palavra, mas que não se esforçaram para compreendê-la; esse calor estava somente no braço direito. Quanto ao que diz respeito ao calor, os maus espíritos podem, até por seus artifícios, produzir um calor que simula o prazer e comunicá-lo aos outros; mas é meramente um calor externo que não tem a sua origem nos internos; é esse calor que putrifica e reduz a matérias excrementícias, como faz o calor dos adúlteros e dos que se mergulharam em imundos prazeres.