ac 1783

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

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Sentido Interno
*1783. Os acontecimentos contidos aqui são, como foi dito, históricos verdadeiros, isto é, que é verdade que JEHOVAH falou assim com Abrão, e que a terra de Canaã lhe foi prometida em herança; que se lhe deu a ordem de colocar assim a novilha, a cabra, o carneiro, a rola e o pombo; que uma ave de rapina desceu sobre os corpos; que um torpor se apossou de Abrão e que nesse torpor houve um terror de trevas; que Abrão, quando o Sol se deitou, viu como um forno de fumaça com um tição de fogo que passou entre as partes, além de outras coisas. São esses históricos verdadeiros, contudo, todas e cada uma das coisas, quanto a menor circunstância de fato, são representativas, e as próprias palavras por meio das quais esses históricos são descritos, até o menor iota, são significativas; isto é, em todas e cada uma das coisas há um sentido interno, porque todas as coisas que estão na Palavra, tomadas em geral e em particular, foram inspiradas; e pelo fato de serem inspiradas, é impossível que elas não sejam de origem celeste, isto é, que não encerrem em seu seio coisas celestes e espirituais; de outro modo não seria de forma alguma a Palavra do Senhor.
[2] São, pois, as coisas celestes e espirituais que estão contidas no sentido interno. Quando este sentido se manifesta, o sentido da letra se apaga como se fosse nulo; e reciprocamente, quando se presta atenção somente ao sentido histórico ou ao sentido da letra, o sentido interno se apaga como se fosse nulo. Sucede com isso como com a luz celeste em relação à luz do mundo e, reciprocamente, como com a luz do mundo em relação à luz celeste: quando a luz celeste aparece, a luz do mundo é então como trevas — o que, por experiência, se tornou para mim conhecido —; mas, quando alguém está na luz do mundo, a luz celeste, se aparecesse, seria então como trevas. Sucede o mesmo com as mentes humanas: para quem põe tudo na sabedoria humana, ou nas ciências, a sabedoria celeste aparece como alguma coisa de obscuro e de nulo; mas para quem está na sabedoria celeste, a sabedoria humana é como uma sorte de geral obscuro, que seria como trevas se não encerrasse raios celestes.
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