ac 1787

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. ‘Não temas, Abrão, Eu [sou] um escudo para ti’; que signifique a proteção contra os males e os falsos, proteção em que Ele põe a Sua confiança, é o que se vê pela significação do ‘escudo’ de que em breve se tratará. Estas palavras, a saber, que “JEHOVAH é um escudo” e que “a recompensa será grande”, são palavras de consolação depois das tentações. Toda tentação tem consigo uma sorte de desespero, pois de outro modo não seria uma tentação; é também por isso que ela é seguida também de uma consolação. Aquele que é tentado é posto em ânsias que o induzem a um estado de desespero a respeito do fim; o combate mesmo da tentação não é outra coisa. Quem está na certeza da vitória não está na ansiedade nem, portanto, na tentação.
[2] O Senhor, tendo sustentado as mais horríveis e cruéis de todas as tentações, não pôde deixar de ser impelido a desesperos que Ele expulsava e dominava por Seu próprio poder, como é possível ver claramente por Sua tentação no Getsêmani; a esse respeito assim se fala em Lucas:
“Quando Jesus esteve nesse lugar, disse aos discípulos: Orai para que não entreis em tentação. Ele, porém, afastou-Se deles cerca de um arremesso de pedra e, pondo-Se de joelhos, orou dizendo: Pai, se queres, que passe este cálice longe de Mim; contudo, que seja não a Minha vontade, mas se faça a Tua. Então apareceu-Lhe um anjo do céu confortando-O; e como estivesse em agonia, com mais instância orou, e se tornou o suor d’Ele como gotas de sangue que desceu sobre a terra” (Lc. 22:40–45).
Em Mateus:
“Começou a ser afligido de dor e agonia; então disse aos discípulos: Triste está toda a Minha alma até a morte. [...] E caminhando um pouco, caiu sobre a Sua face suplicando e dizendo: Meu Pai, se possível for, passe [longe] de Mim este cálice; contudo, não como quero Eu, mas como [queres] Tu. [...] Novamente, pela segunda vez, foi-Se e orou dizendo: Meu Pai, se não pode este cálice passar [longe] de Mim, exceto se bebê-lo, faça-se a Tua vontade. [...] E orou pela terceira vez, dizendo a mesma palavra” (26:36–44).
Em Marcos:
“Começou a ser apossado de pavor e a angustiar-Se muito, ... e disse aos discípulos: A tristeza cercou a Minha alma até a morte. [...] Caminhando um pouco, caiu sobre a terra e orou para que, se possível fosse, passasse d’Ele a hora; e disse: Abba, Pai, todas as coisas Te são possíveis, afasta este cálice de Mim! Não, contudo, como quero Eu, mas como [queres] Tu. Isso [disse] uma segunda e uma terceira vez” (14:33–41).
[3] Por essas passagens, pode-se ver quais foram as tentações do Senhor, e ver que elas foram as mais cruéis de todas, que a Sua angústia partia dos íntimos e ia até o ponto de fazer com que Ele derramasse suores de sangue, e que então Ele se achava em um estado de desespero a respeito do fim e do acontecimento, e que Ele recebeu consolações. Estas palavras: “Eu JEHOVAH sou um escudo para ti” e “o teu galardão será muito grande” envolvem igualmente a consolação depois dos combates das tentações de que se falou no capítulo precedente.

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