. Que o ‘escudo’ seja a proteção contra os males e os falsos, proteção na qual se põe toda a sua confiança, é o que se vê sem explicações. De fato, a locução “JEHOVAH é um escudo e broquel” tornou-se familiar pelo seu frequente uso; mas pode-se ver pela Palavra o que significa especificamente o ‘escudo’: relativamente ao Senhor, é a proteção, relativamente ao homem, é a confiança na proteção do Senhor. Como a guerra significa as tentações, como foi explicado (n. 1664), assim também todas as armas da guerra significam alguma coisa específica na tentação e na proteção contra os males e os falsos, ou contra a turba diabólica que excita a tentação e que tenta. Por isso é que uma é a significação do escudo, outra a do broquel, outra a do pequeno escudo oval, outra a do capacete, outra a do dardo e da lança, outra a da espada, outra a do arco e das flechas, outra a da couraça. Na continuação, tratar-se-á, pela Divina Misericórdia do Senhor, de cada uma dessas armas. [2] Que o escudo significa, relativamente ao Senhor, a proteção contra os males e os falsos e, relativamente ao homem, a confiança no Senhor, é porque o escudo era a defesa do peito e porque o peito significa o bem e o vero: o bem, porque ele envolve o coração, e o vero, porque ele contém os pulmões. Que o escudo tenha essa significação, vê-se em Davi: “Bendito [seja] JEHOVAH, minha rocha que ensina as minhas mãos o combate, aos meus dedos, a guerra; [Ele é] a minha misericórdia, a minha fortaleza, a minha cidadela fortificada e Aquele que me arranca a mim mesmo, o meu escudo em que confio [...]” (Sl. 144:1, 2); onde o ‘combate’ e a ‘guerra’ referem-se às tentações, e trata-se das tentações do Senhor no sentido interno; o ‘escudo’ , relativamente a JEHOVAH, é a proteção, relativamente ao homem, é a confiança, como se vê claramente. [3] No mesmo: “Ó Israel, confia em JEHOVAH; Ele [é] o seu auxílio e o seu escudo. Ó casa de Aharão, confiai em JEHOVAH; Ele [é] o seu auxílio e o seu escudo. [Vós] que temeis a JEHOVAH, confiai em JEHOVAH, Ele [é] o seu auxílio e o seu escudo” (Sl. 115:9–11). Aí, igualmente. No mesmo: “JEHOVAH [é] minha fortaleza, meu Deus em Quem confio. [...] Ele te cobrirá com Suas asas e, sob as Suas asas, confiarás; Sua verdade é broquel e escudo” (Sl. 91:2, 4); onde o ‘broquel’ e o ‘escudo’ designam a proteção contra os falsos. [4] No mesmo: “JEHOVAH [é] a minha rocha e a minha fortaleza, meu libertador, meu Deus, o meu rochedo em Quem confio, o meu escudo e o chifre da minha salvação; [...] JEHOVAH [é] um escudo para todos que confiam n’Ele” (Sl. 18:3, 31 [Em JFA, 18:2, 30]); aí, igualmente. No mesmo: “[...] O que prova os corações e os rins. Deus Justo! O meu escudo [está] sobre Deus, Que salva os retos de coração” (Sl. 7:10, 11 [Em JFA, 7:9, 10]); o ‘escudo’ designa a confiança. No mesmo: “Deste-me o escudo da Tua salvação, e a Tua destra sustentar-me-á” (Sl. 18:36 [Em JFA, 18:35]); ainda aí é pela confiança. No mesmo: “De Deus [são] os escudos da terra, muito exaltado está” (Sl. 47:10 [Em JFA, 47:9]); está no lugar da confiança. [5] No mesmo: “Sol e escudo [é] JEHOVAHDEUS; graça e glória dará JEHOVAH, não se desviará o bem dos que andam na integridade” (Sl. 84:12 [Em JFA, 84:11]); no lugar da proteção. Em Moisés: “Bem-aventurado [és] tu, ó Israel! Quem [é] semelhante a ti, um povo salvo em JEHOVAH, o escudo do teu auxílio? E quem [é] a espada da tua excelência? Enganar-se-ão os teus inimigos a teu respeito” (Dt. 33:29). O escudo aí está no lugar da proteção. Como as armas de guerra se dizem dos que estão nos combates das tentações, elas se dizem também do mesmo modo dos inimigos que atacam, que tentam, e então elas significam o contrário; assim o escudo significa os males e os falsos com os quais eles combatem e se defendem, e nos quais eles põem a sua confiança; como em Jeremias: “Disponde o escudo e o broquel e aproximai[-vos] para a peleja; arreai os cavalos e montai, cavaleiros; e apresentai-vos com capacetes; poli as lanças, revesti as couraças” (46:3, 4). Sem falar de outras passagens.