. ‘Dizendo: Este não herdará de ti’; que signifique que o externo não será o herdeiro de Seu Reino, é o que se vê pela significação de ‘vir a ser herdeiro’ ou ‘herdar’, de que já se falou. O ‘herdeiro do Reino do Senhor’ não é o externo, mas é o interno; o externo também é herdeiro porque então eles são um. Para saber como isso se opera, cumpre lembrar que todos que estão nos céus, tanto os que estão no primeiro céu como os que estão no segundo, bem como os que estão no terceiro, isto é, tanto os que são externos como os que são interiores e, do mesmo modo, os que são internos, são os herdeiros do Reino do Senhor, porque todos fazem um só céu. Nos céus do Senhor dá-se com os internos e os externos absolutamente como com o homem: os anjos que estão no primeiro céu foram subordinados aos anjos que estão no segundo, e estes o foram aos anjos que estão no terceiro; contudo, não é uma subordinação de mando, mas é, como no homem, um influxo dos internos nos exteriores, isto é, que a vida do Senhor influi pelo terceiro céu no segundo e, por este, no primeiro; e isso por uma ordem sucessiva. Além disso, essa vida influi imediatamente também em todos os céus. Os anjos interiores57 , ou os subordinados, não sabem que isso é assim, exceto quando o Senhor lhes dá a reflexão a respeito. Não há, portanto, uma subordinação de mando. [2] Quanto mais o interno está no anjo do terceiro céu, tanto mais ele é o herdeiro do Reino do Senhor, e quanto mais o interno está no anjo do segundo céu tanto mais ele é o herdeiro; assim também, quanto mais o interno estiver no anjo do primeiro céu, tanto mais ele é também o herdeiro. É o interno que faz que se seja o herdeiro. Nos anjos interiores há mais o interno do que nos anjos exteriores, por isso estão mais próximos do Senhor e são mais herdeiros. O interno é o amor ao Senhor e a caridade para com o próximo; por conseguinte, quanto mais amor e caridade tiverem, tanto mais eles são filhos, ou herdeiros, porque mais eles participam na vida do Senhor. [3] Ninguém, porém, antes de ter sido instruído nos bens do amor ou nos veros da fé, pode ser elevado do primeiro céu, ou do céu externo, ao segundo céu, ou interior. Quanto mais instruído neles for, tanto mais ele pode ser elevado e vir entre os espíritos angélicos. O mesmo acontece com estes antes que eles possam ser elevados, ou vir, ao terceiro céu, ou entre os anjos. Pela instrução formam-se os interiores e, por conseguinte, os internos, e eles se dispõem a receber os bens do amor e os veros da fé e, assim, a percepção do bem e do vero. Ninguém pode perceber aquilo que não crê e não pode, portanto, ser dotado da faculdade de perceber o bem do amor e o vero da fé, exceto por meio das cognições, para que saiba o que é e conheça a sua qualidade. O mesmo sucede com todos, até com as crianças que são todas instruídas no Reino do Senhor; e estas o são facilmente, porque não estão imbuídas de nenhum princípio do falso. Mas é somente nas verdades gerais que se é instruído; e quando alguém as recebe, as coisas que são percebidas são em número indefinido. [4] Dá-se com isso o que se dá com aquele que está persuadido de alguma verdade no geral; ele entende facilmente e como de si mesmo (ou espontaneamente) as particularidades das coisas gerais e as singularidades das particularidades, que são motivos de confirmação. Com efeito, ele é afetado pela verdade no geral, e daí também pelas particularidades e pelas singularidades dessa mesma verdade, que confirmam, pois elas entram com prazer e deleite na afeição comum e a aperfeiçoam assim continuamente. São esses os internos pelos quais se é herdeiro, ou pelos quais se pode herdar o Reino do Senhor; mas então pela primeira vez são herdeiros, ou herdam, quando estão na afeição do bem, isto é, no amor mútuo, no qual são introduzidos por meio das cognições do bem e do vero pelas afeições desse bem e desse vero; e quanto mais se está na afeição do bem, ou no amor mútuo, tanto mais se é herdeiro, ou tanto mais se herda, porque o amor mútuo é o vital mesmo que se recebe da essência do Senhor, como de Seu Pai. Pode-se também achar evidência no que vai seguir (vers. 5).