Texto
. ‘E disse: Olha, peço, para o céu’; que signifique a representação do Reino do Senhor na intuição do universo58, é o que se faz evidente pela significação do ‘céu’. Na Palavra, o ‘céu’ significa, no seu sentido interno, não o firmamento que se apresenta aos olhos, mas o Reino do Senhor no universal e no singular. Aquele que olha os internos pelos externos, quando ele vê o firmamento, não pensa absolutamente no céu astral, mas pensa no céu angélico; e quando vê o Sol pensa, não no Sol, mas no Senhor, pois Ele é o Sol do céu; assim também quando ele olha a Lua e também quando ele vê as estrelas. Ainda mais, quando ele vê a imensidade do firmamento, ele pensa não nessa imensidade, mas no poder imenso e infinito do Senhor; é assim também quanto às outras coisas, porque nada há que não seja representativo.
[2] O mesmo acontece quando ele considera as coisas que estão nas terras; por exemplo, se olha a aurora do dia, ele não pensa na aurora, mas pensa na origem de todas as coisas desde o Senhor, e pela progressão no dia, pensa a respeito da sabedoria; se olha para os jardins, bosques e canteiros, a sua vista não se prende a alguma árvore, nem às suas flores, nem às folhas, nem aos frutos, mas se dirige sobre as coisas celestes que tais objetos representam; nem também se prende à flor alguma, nem à sua beleza, nem ao seu perfume, mas considera as coisas que elas representam na outra vida. Por isso, nos céus e na terra, nada há de belo nem de gracioso que não seja, sob certo aspecto, um representativo do Reino do Senhor (ver n. 1632). É isso que é olhar para o céu, pelo que é significada a representação do Reino do Senhor na intuição do universo .
[3] A razão pela qual todas as coisas que estão, em geral e em particular, no céu e na terra são representativas, é que elas existiram e existem continuamente, isto é, subsistem por intermédio do influxo do Senhor por meio do céu. Dá-se com essas coisas o mesmo que se dá com o corpo humano, que existe e subsiste por sua alma; por isso também no corpo tudo, em geral e em particular, é representativo de sua alma; esta está no uso e no fim, e o corpo, por sua vez, está no exercício destes. Todos os efeitos, sejam eles quais forem, são igualmente os representativos dos usos que pertencem à causa, e os usos são os representativos dos fins que pertencem aos princípios.
[4] Aqueles que estão nas Ideias Divinas não se detêm de modo algum sobre os objetos da vista externa, mas veem continuamente os internos por esses objetos e nesses objetos; os internos mesmos são as coisas que pertencem ao Reino do Senhor, por conseguinte, eles estão no fim mesmo. O mesmo se dá com a Palavra do Senhor: quem está nas [ideias] Divinas não encara de modo algum a Palavra do Senhor pela letra, mas considera a letra e o sentido literal como o representativo e o significativo das coisas celestes e espirituais da igreja e do Reino do Senhor; o sentido literal é somente para ele como um meio instrumental para pensar a respeito das coisas celestes e espirituais. Tal foi a vista do Senhor.