. Que ‘Abrão a enxotou’ signifique que o Senhor os pôs em fuga, é evidente pelo que acaba de ser dito. O mesmo sucede também com a igreja, quando ela começa a se afastar da caridade, os males e os falsos desses males são postos em fuga com mais agilidade. De fato, ela está ainda, até esse momento, em um certo estado, pouco afastada da caridade, de tal modo que as mentes dos que a compõem são mais flexíveis; com o tempo, os males e os falsos crescem, assim se confirmam e se fortalecem, é do que se tratará na continuação. [2] O Senhor, tanto quanto é possível, põe em fuga continuamente os males e os falsos, mas isto por meio da consciência; esta, quando afrouxada, não existe intermediário pelo qual o Senhor influa, porque o influxo do Senhor no homem acontece por meio da caridade em sua consciência; mas então em lugar desse intermediário formou-se um novo que é externo, isto é, que consiste no temor da lei, no receio de perder a vida, a honra, as riquezas e a reputação que elas proporcionam; mas esses vínculos não pertencem à consciência; não são senão vínculos exteriores que fazem com que o homem possa viver em sociedade com os seus semelhantes e mostrar-se como amigo, seja qual for o seu interior. [3] Mas esse intermediário ou esses elos nada fazem na outra vida, porque os externos lá são removidos, e aí tal qual se é interiormente tal se permanece. Há muitos [homens] que tiveram uma vida moral e civil, que não causaram dano a ninguém, que mostraram amizade e civilidade, que fizeram até o bem a muitos, mas que tiveram esse proceder somente em vista de si próprios, para as honras, o proveito e por todo outro motivo pessoal. Na outra vida eles estão entre os espíritos infernais, porque dentro deles nada havia mais do que o mal e o falso, e mesmo o ódio, a vingança, a crueldade, os adultérios, que não se mostram diante do homem, e tanto não se mostram, enquanto esses temores, que são vínculos externos, são mais fortes.