. Que ‘eis um terror de grandes trevas caindo sobre ele’ signifique que as trevas eram espantosas e que as trevas são as falsidades, é o que se vê pela significação das ‘trevas’, que são as falsidades, como se vai explicar. O estado da igreja antes da consumação, mas quando “o Sol estava em seu ocaso”, é descrito por um terror causado por grandes trevas, enquanto o estado, quando “o Sol está posto”, é descrito pela obscuridade e por muitas outras coisas (vers. seg. 17). [2] E em Mateus é descrito assim pelo Senhor: “O Sol se escurecerá, e a Lua não dará a sua luz, e as estrelas cairão do céu, e os poderes do céu serão abalados” (Mt. 24:29). Não é o Sol do mundo que será escurecido, mas é o celeste, que pertence ao amor e à caridade; não é a Lua que não dará luz, mas é o espiritual que pertence à fé; não são as estrelas que caem do céu, mas são as cognições do bem e vero nos homens da igreja, que são o poder dos céus. Não que seja no céu que tais coisas sucederão, pois o céu jamais está na obscuridade, mas sucederão na terra. [3] Que ‘um terror de grandes trevas se apoderou de Abrão’, é que o Senhor ficou horrorizado à vista de uma tão grande devastação. Tanto quanto alguém está no celeste do amor, outro tanto ele experimenta horror quando percebe a consumação; por isso esse horror foi maior no Senhor do que em qualquer outro, pois Ele estava no Amor mesmo celeste e Divino. [4] Que as ‘trevas’ signifiquem as falsidades, é o que se vê por muitas passagens da Palavra; assim, em Isaías: “Ai dos que põem as trevas na luz e a luz nas trevas” (5:20); isto é, as ‘trevas’ designam os falsos, e a ‘luz’, os veros. No mesmo: “[...] olhará para terra, e eis trevas, aflição, e a luz foi obscurecida” (Is. 5:30); as ‘trevas’ designam os falsos, a ‘luz obscurecida’ está no lugar do vero que não aparece. [5] No mesmo: “Eis que as trevas cobrem a terra, e a escuridão, os povos” (Is. 60:2). Em Amós: “[...] o dia de JEHOVAH? o de trevas, e não luz. [...] Não será completa escuridão e nenhum brilho haverá nele?” (5:18–20). Em Sofonias: “[Está] próximo o grande dia de JEHOVAH,... dia de incandescência; esse dia de angústia e de coação, dia de devastação e de desolação, dia de trevas e de escuridão, dia de nuvens e sombrio” (1:14, 15); onde o ‘dia de JEHOVAH’ é o último tempo e o último estado da igreja; as trevas e a escuridão são os falsos e os males. [6] O Senhor chama também trevas às falsidades em Mateus: “Se o teu olho for mau, todo o corpo será tenebroso. Se, porém, o lume que está em ti são trevas, grande serão estas trevas” (6:23). As ‘trevas’ são as falsidades que se apoderam dos que estão nas cognições, e ali está indicado o quanto elas são grandes em comparação com as trevas das nações que não possuem as cognições. [7] Ainda se diz no mesmo: “Os filhos do reino serão lançados nas trevas exteriores” (Mt. 8:12; 22:13). As ‘trevas exteriores’ são as falsidades abomináveis dos que estão na igreja, porque estes fazem a luz tenebrosa e produzem as falsidades contra os veros, o que as nações não podem fazer. Em João: “N’Ele estava a vida, e a vida era a luz dos homens; a luz, porém, aparece nas trevas, mas as trevas não a compreenderam” (1:4, 5). As ‘trevas’ aí são as falsidades no interior da igreja. As falsidades fora da igreja também são chamadas trevas, mas são trevas que podem ser esclarecidas. A respeito delas fala-se assim em Mateus: “O povo que estava assentado nas trevas viu um grande lume. E aos que estavam assentados na região da sombra da morte, a luz se levantou para eles” (4:16). Aí as ‘trevas’ são os falsos da ignorância, tais como as nações. [9] Em João: “Este é o juízo, que a luz veio ao mundo, mas os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as obras deles eram más” (3:19). Aí a ‘luz’ é tomada pelos veros, e as ‘trevas’ são tomadas pelos falsos; a luz é o Senhor porque d’Ele procede todo vero; as trevas são os infernos, porque de lá vêm todos os falsos. [10] No mesmo: “Jesus disse: Eu sou a Luz do mundo, quem Me seguir não andará nas trevas” (João, 8:12). No mesmo: “Andai enquanto tendes luz, para que as trevas não vos surpreendam; pois quem anda nas trevas não sabe aonde vai. Eu vim trazer luz ao mundo, para que todo aquele que crê em Mim não permaneça nas trevas” (João, 12:35, 46). A ‘luz’ está pelo Senhor, de Quem procede todo bem e todo vero; as ‘trevas’ são os falsos, que são dissipados pelo Senhor só. [11] As falsidades dos últimos tempos, que são aqui chamadas trevas, ou das quais se predica o terror de grandes trevas, foram representadas e significadas pelas “trevas estendidas sobre toda a terra, desde a sexta hora até a nona”, e ainda no fato que “o Sol ficou envolto em trevas”, o que representava e significava que então não havia mais amor, ou que não havia mais fé (Mateus, 27:45; Marcos, 15:33; Lucas, 23:44, 45).