Texto
. Que ‘a tua semente será peregrina’ signifique que a caridade e a fé serão raras, é o que se vê pela significação de ‘peregrino’ e da ‘semente’. ‘Peregrino’ significa o que não nasceu na terra, por conseguinte, o que não é reconhecido como indígena e, portanto, o que é considerado como de um outro país; e a ‘semente’, por sua vez, significa a caridade e sua fé, como já foi explicado (n. 255, 1025 e no vers. 13). Como o que é de outro país se chama peregrino e o que é considerado como estrangeiro é o que não está na terra, ou que está fora da terra, segue-se que é isto o que é raro e, por consequência, que a caridade e a fé da caridade (que são a semente) serão raras. Trata-se do tempo antes da consumação, quando haverá grandes trevas, isto é, grandes falsidades, pois então “a semente será peregrina”, ou seja, a caridade e a fé serão raras.
[2] Que a fé seria rara nos últimos tempos, é o que foi predito pelo Senhor quando anunciou a consumação do século em Mateus (24:4-51), Marcos (13:3-37), Lucas (21:7-38); onde tudo que se diz significa que naqueles tempos a caridade e a fé seriam raras e que por fim elas não existiriam mais. Semelhante predição é anunciada por João no Apocalipse e também muito frequentemente nos Profetas, além de todos os lugares em que ela se encontra nos Livros Históricos da Palavra.
[3] Mas pela fé que deve perecer nos últimos tempos, não se entende outra coisa senão a caridade, pois não há outra fé senão a fé da caridade. Quem não tem a caridade não pode ter a menor coisa da fé; a caridade é o solo mesmo no qual está implantada a fé, ela é o coração pelo qual a fé é e vive. Por isso é que os antigos compararam o amor e caridade ao coração, e a fé, ao pulmão, porque estão no peito tanto um como o outro. Há também similitude, porque representar a vida da fé sem a caridade é como se a vida fosse representada pelo pulmão só, sem o coração; e qualquer um pode ver que uma tal vida não é possível. Por isso os antigos davam o nome de ‘coração’ a todas as coisas que pertencem à caridade, e o nome de ‘boca somente’, ou de ‘pulmão’ (por causa do influxo da respiração na linguagem) a todas as coisas que pertencem à fé sem a caridade; daí as fórmulas antigas: que os bens e os veros devem sair do coração.