. ‘E uma escuridão se fez’; que signifique quando o ódio tomou o lugar da caridade, vê-se pela significação de ‘escuridão’. Na Palavra, as ‘trevas’ significam os falsos, mas a ‘escuridão’ significa os males, como se vai ver. Há trevas quando o falso está no lugar do vero, e há escuridão quando o mal está no lugar do bem, ou o que é o mesmo, quando o ódio está no lugar da caridade. Quando o ódio está no lugar da caridade, a escuridão é tão grande que o homem não sabe absolutamente mais que o ódio é um mal; ele sabe ainda menos que é um mal tão grande que, na outra vida, esse mal se precipita no inferno, porque os que estão no ódio sentem nele um certo prazer como uma sorte de vital. Esse prazer mesmo e esse vital fazem com que aquele que está no ódio não saiba outra coisa senão que é um bem. Tudo que favorece a volúpia e a cobiça do homem, favorecendo o seu amor, ele o sente como um bem ao ponto mesmo que, se lhe for dito que é infernal, ele tem dificuldade de crer; crê ainda menos, se lhe for dito que tal prazer e tal vital se mudam, na outra vida, em uma infecção excrementícia e cadaverosa; crê muito menos que ele próprio se torna um diabo e uma imagem horrenda do inferno, pois o inferno só consiste em ódios e em tais formas diabólicas. [2] Contudo, qualquer um que for dotado de alguma faculdade de cogitar pode sabê-lo; porque se ele próprio descrevesse ou representasse, ou pudesse, de algum modo, pintar o ódio, ele não o faria de outro modo senão sob formas diabólicas, tais quais se tornam depois da morte as formas dos que estão no ódio; e o que causa espanto é que, ainda assim, mais eles se atrevem a dizer que, na outra vida, eles irão para o céu; alguns somente pelo fato de dizerem que têm fé, quando, todavia, no céu não há senão formas de caridade, como as que foram vistas a partir da experiência (ver n. 553). Pensem agora, como seria possível que essas duas formas, a do ódio e a da caridade, concordassem juntamente em um mesmo lugar? Que as ‘trevas’ signifiquem o falso, e a ‘escuridão’, o mal, é o que se pode ver pelas passagens seguintes da Palavra: Em Isaías: “Eis que as trevas cobrem a terra, e a escuridão, os povos” (60:2). Em Joel: “Fiquem horrorizados todos os habitantes da terra, porque vêm os dias de JEHOVAH, ... dias de trevas e de escuridão” (2:1, 2). Em Sofonias: “Dia da incandescência esse dia, ... dia de devastação e de desolação, dia de trevas e de escuridão” (1:15). Em Amós: “E não [será] de trevas o dia de JEHOVAH, e não de luz? e de escuridão, e não de esplendor nele?” (5:20); onde o ‘dia de JEHOVAH’ é o último tempo da igreja, do qual aqui se trata; as ‘trevas’ designam os falsos, e a ‘escuridão’, os males; por isso que essas duas expressões são empregadas ao mesmo tempo, de outro modo se tinha uma repetição da mesma coisa ou uma vã amplificação. Ora, na língua original, o vocábulo que neste versículo, exprime a escuridão, encerra um e outro, tanto o falso como o mal, ou o falso compacto de onde provém o mal, e o mal compacto de onde provém o falso .