Texto
. ‘Dizendo: À tua semente darei esta terra’; que signifique as consolações depois dessas tentações e desses temores, que os que estiveram na caridade e na fé n’Ele tornar-se-ão os Seus herdeiros, é o que se vê pela significação da semente e pela significação da terra. A ‘semente de Abrão’ significa o amor e a fé que procede do amor, como se explicou (n. 255, 256, 1025), por conseguinte, todos que estão na caridade e na fé no Senhor. E a ‘terra de Canaã’ significa o Reino do Senhor; eis por que ‘dar essa terra à sua semente’ significa que o reino celeste seria dado em herança aos que pela caridade têm a fé n’Ele.
[2] Que tenha sido uma consolação para o Senhor depois das tentações e dos temores, pode-se ver, sem que haja necessidade de explicação, pois depois desses cruéis acontecimentos que Ele viu, a saber, depois que Ele repeliu os males e os falsos significados pela ‘ave de rapina que desceu sobre os corpos, a qual Abrão enxotou’ (vers. 11), e ainda se espalhavam falsidades que Lhe causavam horror, as quais foram significadas por ‘um terror de grandes trevas que caiu sobre Abrão no torpor’ (vers. 12), e, todavia, por fim, meramente falsos e males se apoderavam do gênero humano, os quais foram significados pelo ‘forno de fumaça’ e o ‘tição de fogo que passou entre os pedaços’ (vers. 17), Ele não pôde outra coisa senão estar na angústia e na dor. Por isso é que sobrevém agora uma consolação tal de que se fala (vers. 4, 5), consolação que consiste em que “a Sua semente herdará a terra”, isto é, que os que estiverem na caridade e na fé n’Ele se tornarão os herdeiros do Seu Reino. A salvação do gênero humano foi a Sua única consolação, pois Ele estava no amor Divino e celeste, e Ele Se tornou, também quanto à Sua Essência Humana, o Amor mesmo Divino e celeste, que só considera e só tem unicamente em vista o amor de todos.
[3] Que tal seja o Amor Divino é o que se pode ver pelo amor dos pais para com os filhos, visto que cresce segundo o grau de onde ele desce, isto é, no fato que ele vem a ser, para com os netos, maior do que para com os filhos mesmos, que são de um grau mais próximo. Nada existe sem causa e sem origem; o mesmo sucede também com esse amor para com os pósteros que, com o gênero humano, cresce continuamente à proporção que ele desce graus mais afastados; a sua causa e a sua origem só podem vir do Senhor, de Quem influi todo amor conjugal, assim como todo amor dos pais para com os filhos, no fato que Seu Amor é tal, que Ele ama todos os homens como um Pai a seus filhos, que Ele quer fazê-los todos Seus herdeiros, e que Ele provê a herança dos que devem nascer assim como a herança dos que nasceram.