. Continuação sobre a Sagrada Escritura, ou Palavra. *1869. MOSTROU-SE-ME, por intermédio da abertura das ideias de meu pensamento, quão grande número de coisas estão encerradas em um só vocábulo da Palavra. Na outra vida — coisa admirável — pode-se fazer isso de um modo tão vivo que as próprias ideias se apresentam visivelmente sob uma forma pouco mais ou menos como pinturas. Foram assim abertas as ideias de uma pessoa que tinha vivido na caridade, ou amor mútuo, que, no mundo, fizera da Palavra as suas delícias; então aparecem, em quantidades inumeráveis, objetos magníficos com as impressões deliciosas e aprazíveis que eles procuravam. Declarou-se que esses objetos que assim se oferecem à vista podem normalmente ser abertos quanto aos seus interiores e que, se fossem abertos, eles se apresentariam como objetos ainda mais magníficos e deliciosos, acompanhados das próprias felicidades. Tais são todas as ideias angélicas, pois elas foram abertas pelo Senhor mesmo. [2] Como os espíritos se admiravam de que, na outra vida, as ideias pudessem ser assim abertas, isso lhes foi explicado pelas vistas dos olhos, cujos raios são tão enfraquecidos e obscurecidos, que eles não podem ver senão alguma coisa opaca, negra, disforme, nos objetos pequenos da natureza, nos quais há outros em quantidades inumeráveis, enquanto esses mesmos objetos, sendo observados com um microscópio, oferecem à vista os seres interiores unidos entre si em uma bela ligação e desenvolvendo-se em uma ordem que encanta, e que os objetos interiores poderiam igualmente ser ainda abertos com auxílio de um microscópio mais perfeito. Por esse modo eles podem ver o que sucede com a vista interna, cujos raios não são outros senão ideias, visto que em si mesmas, são tão densas que dificilmente pode haver nessa esfera alguma coisa mais densa, apesar de um homem julgá-lo de outro modo. Mas em seguida, pela Divina Misericórdia do Senhor, se falará delas.