. O mesmo sucede com a Palavra do Senhor; todas as palavras nela formam as suas ideias, porque uma palavra não é outra coisa mais do que uma ideia formada de modo que um sentido seja percebido; e em cada palavra há tantas coisas inúmeras, que não podem vir à percepção do homem, mas somente à dos anjos, coisa que é impossível crer. Quando as palavras são abertas pelo Senhor, as formas interiores se apresentam à percepção por prazeres e felicidades, e à vista por intermédio das coisas representativas e paradisíacas; os prazeres e as felicidades vêm dos celestes e dos espirituais do amor, ou da misericórdia do Senhor; as coisas representativas e paradisíacas são formadas pelos raios de luz que procedem desse amor. [2] Mostrou-se-me, por uma maravilhosa experiência, que a Palavra foi inspirada não só quanto a cada uma de suas palavras como também quanto a cada letra das palavras, assim, absolutamente como se diz: “quanto ao menor iota”. Com efeito, há em cada iota alguma coisa da afeição e da vida que reina comumente na Palavra e que assim penetra de um modo correspondente nas suas menores partes. Mas tais maravilhas não podem ser explicadas de modo que sejam compreendidas se não se tiver previamente o conhecimento de muitas outras coisas.