. Foi-me concedido perceber as ideias angélicas na Oração Dominical sobre estas palavras: “Não nos induzas à tentação, mas livra-nos do mal”. Pelos bons espíritos, muito próximos de uma certa ideia em mim perceptível, eram afastadas a ‘tentação’ e o ‘mal’; e isso, até que o ‘puro angélico’, isto é, o ‘bem’ ficasse sem ideia de tentação nem de mal, perecendo assim inteiramente o sentido da letra. Sobre esse bem primeiro, no primeiro afastamento, formavam-se inúmeras ideias: como o bem vem da aflição do homem e, contudo, a aflição vem do homem e de seu mal, que traz consigo a sua pena; e a isso se juntava uma espécie de indignação de que se estava na opinião de que a tentação e o seu mal vinham de outra parte e de que não se ousava pensar a respeito do mal quando se pensava a respeito do Senhor. Essas ideias eram purificadas à medida que se elevavam mais acima: as ascensões foram representadas por meio dos afastamentos dos quais se falou no n. 1393, e que faziam com uma rapidez e de um modo inexprimível até que passassem para a sombra de meu pensamento; então elas estavam no céu, onde há sobre o bem do Senhor unicamente inefáveis ideias angélicas.