Texto
. ‘Entra, peço, à minha serva’; que signifique a conjunção com o exterior, é o que também se vê pelo que se disse precedentemente, a saber, que o racional do homem é concebido e gerado pelo homem interno como um pai e pelo homem exterior como uma mãe. A vida mesma do homem vem do homem interno, que não pode ter com o homem externo uma comunicação senão muito obscura, antes que os vasos recipientes pertencentes à memória tenham sido formados, o que se efetua por meio das cognições e dos conhecimentos.
[2] O influxo do homem interno se faz nas cognições e conhecimentos do homem exterior por intermédio da afeição; antes de ter sido feito isso, há, é verdade, neste intervalo, comunicação, mas somente pelas afeições pelas quais o homem externo é governado; daí apenas os movimentos mais gerais, e também certos desejos e certas propensões cegas, quais as que se mostram nas criancinhas; mas essa vida se torna gradualmente mais distinta à medida que são formados, por meio das cognições, os vasos da memória e, por meio das coisas racionais, os vasos da memória interior. Assim como esses vasos são formados e dispostos em série — e até em uma tal série que eles se olham uns aos outros respectivamente como consanguinidades e afinidades, ou como sociedades e famílias — assim é aperfeiçoada a correspondência do homem externo com o homem interno, e ela o é ainda melhor por meio das coisas racionais, que são as intermediárias.
[3] Contudo, isso não se faz de um modo conveniente, exceto se as cognições por meio das quais eles são formados forem verdades, pois as coisas celestes e espirituais do homem interno não acham para si correspondência senão nas verdades. Essas verdades, nas formas orgânicas de uma e outra memória, são os vasos genuínos nos quais podem ser adaptadas as coisas celestes do amor e as espirituais da fé, porque então o Senhor as dispõe segundo a ideia e a imagem das sociedades do céu ou de Seu Reino, de modo que o homem se torna uma pequena forma do céu ou do Reino do Senhor, assim como são também chamadas, na Palavra, as mentes dos que estão nas coisas celestes do amor e nas coisas espirituais da fé. Estas coisas foram ditas, porém, para aqueles que amam pensar mais profundamente.