. ‘E talvez serei edificada por ela’; que signifique ‘assim o Racional poderia nascer’, é o que se pode ver pela significação da palavra ‘edificar’ quando predicada da geração, portanto, sem necessidade de explicação. Por ‘Sarai’, como se disse, é representado o vero intelectual que, como uma esposa, foi adjunto ao bem. O vero intelectual, que está no íntimo, é absolutamente privado de filhos, ou é como uma mãe sem filhos, quando ainda não há algum racional no qual e pelo qual ele influa, pois sem o racional, que é o intermediário, não pode influir com vero algum no homem exterior, como se pode ver pelas criancinhas: estas nada podem saber de vero antes de terem sido imbuídas de cognições; mas, como foi dito, quanto melhor e mais perfeitamente elas forem imbuídas de cognições, tanto melhor e mais perfeitamente o vero intelectual, que está no íntimo (ou no bem), pode ser comunicado. [2] Esse vero intelectual representado por Sarai é o espiritual mesmo que influi por meio do céu e, assim, por uma via interna, e isso em todo homem; ele é o que vem continuamente ao encontro das cognições, as quais são insinuadas pelas coisas dos sentidos e implantadas na memória; coisa que o homem ignora, porque é algo demasiado puro para que possa ser percebido pela ideia comum; é como uma certa luz que esclarece e dá a faculdade de saber, de pensar e de compreender. O Racional, só podendo existir pelo influxo do vero intelectual (representado por Sarai), não pode ser outra coisa senão o seu filho. Quando o racional é formado pelos veros que foram adjuntos aos bens, e mais ainda, quando ele é formado pelos bens de onde procedem os veros, então ele é o filho genuíno; antes disso ele é também reconhecido como filho, mas não como genuíno: é o filho nascido da serva; contudo, ele é ainda adotado. É por essa razão que se diz aqui que ela ‘seria edificada por ela’.