ac 1904

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. ‘Sarai, esposa de Abrão, tomou’; que signifique a afeição do vero, a qual, no sentido genuíno, é ‘Sarai esposa’, é o que se vê pela significação de ‘Sarai’, que é o vero adjunto ao bem; e pela significação de ‘esposa’, que é a afeição, como se disse (n. 915, 1468). Há duas afeições distintas entre si, a afeição do bem e a afeição do vero; no momento em que o homem se regenera, então a afeição do vero precede, pois ele é afetado do vero por causa do bem; mas quando ele está regenerado, é a afeição do bem que precede e é a partir do bem que ele é afetado do vero; a afeição do bem pertence à vontade, a afeição do vero pertence ao entendimento. Os antiquíssimos instituíram, por assim dizer, um casamento entre as duas afeições: o bem, ou o amor do bem, eles o chamavam ‘homem, como marido’; o vero, ou o amor do vero, eles o chamavam ‘homem, como esposa’61 . A comparação do bem e do vero com o casamento obtém sua origem do casamento celeste.
[2] O bem e o vero, considerados em si mesmos, não têm vida, mas obtêm a vida do amor, ou da afeição; eles são apenas os instrumentais da vida, por isso, tal é o amor que afeta o bem e o vero, tal é a vida, porque o todo da vida pertence ao amor ou à afeição; vem daí que ‘Sarai esposa’ signifique, no sentido genuíno, a afeição do vero, e aqui, porque o Intelectual desejava o Racional como filho, e porque é do desejo, ou da afeição, que se fala, é por isso que neste versículo se diz expressamente “Sarai, esposa de Abrão, deu[-a] a Abrão, o varão”, palavras que não seria necessário dizer novamente, porque em si mesmas seriam supérfluas se não encerrassem tais coisas no sentido interno.
[3] O vero intelectual é distinto do vero racional, e este o é do vero que pertence ao conhecimento [ou vero científico], assim como são distintos entre si o interno, o intermediário e o externo. O ‘vero intelectual’ é interno, o ‘vero racional’ é o intermediário, o ‘vero que é do conhecimento’ é externo; entre si eles são muito distintos, porque um é o interior do outro. Em todo homem, o vero intelectual, que é interno ou está em seu íntimo, pertence não ao homem, mas ao Senhor no homem; daí o Senhor influi no racional, onde pela primeira vez o vero se mostra como pertencente ao homem, e pelo racional no que é do conhecimento. É evidente, pois, que o homem nunca pode pensar como por si próprio a partir do vero intelectual, mas que o pode a partir do vero racional e a partir do que pertence ao conhecimento, porque estes se mostram como lhe pertencendo.
[4] Só o Senhor quando viveu no mundo pensou a partir do vero Intelectual, porque tal [vero] era o Seu Divino conjunto ao bem, ou o Divino Espiritual conjunto ao Divino Celeste; nisso o Senhor foi distinto de qualquer outro homem. Pensar a partir do Divino como por Si mesmo, nunca pertence ao homem, nem é dado ao homem, é dado somente Àquele Que foi concebido de JEHOVAH. Como é pelo vero Intelectual, isto é, pelo amor ou pela afeição do vero Intelectual, que o Senhor pensou, é também por esse vero que Ele desejou o Racional; é por isso que se diz aqui que Sarai, esposa de Abrão, pela qual se entende a afeição do vero intelectual, “tomou Hagar, a egípcia, e deu-a a Abrão, seu varão, a ele por mulher”.
[5] Todos os outros arcanos que estão encerrados aqui não podem ser desenvolvidos nem explicados de modo que possam ser compreendidos, porque o homem está em uma obscuridade demasiado profunda e mesmo não tem ideia alguma a respeito de seus internos. Com efeito, ele põe no que pertence ao conhecimento não só o racional, mas também o intelectual, e não sabe que eles são distintos, e até de tal modo distintos que o intelectual pode ser dado sem o racional, como também o racional que provém do intelectual pode ser dado sem o que é do conhecimento, o que só poderia parecer como um paradoxo aos que estão nas coisas do conhecimento, e entretanto é a verdade; mas ele não pode ser dado a quem esteja em algum vero científico, a saber, em sua afeição e em sua fé, a não ser que este esteja no vero racional, no qual e pelo qual o Senhor influi desde o vero intelectual. É só na outra vida que esses arcanos se manifestam ao homem.

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