ac 1911

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. ‘E viu que concebera, e a senhora dela foi vil aos olhos dela’; que signifique que esse Racional, em sua concepção, desprezava o vero mesmo adjunto ao bem, é o que se pode ver pela significação da ‘senhora’, ou Sarai, que é o vero adjunto ao bem. O primeiro Racional concebido não pode reconhecer o vero intelectual, ou espiritual, como sendo o vero, porque a esse Racional aderem, dos conhecimentos trazidos do mundo e da natureza, muitas falácias, e aderem, das cognições tomadas do sentido literal da Palavra, aparências que não são veros.
[2] Por exemplo: é um vero intelectual, que ‘toda vida provém do Senhor’; o primeiro Racional concebido não apreende isso, ele pensa que se não vivesse por si mesmo nada teria da vida; ele até se indigna se ouve dizer o contrário, como muitas vezes o notei pelos espíritos que estão presos às falácias dos sentidos.
[3] É um vero intelectual, que todo bem e todo vero provêm do Senhor: o primeiro Racional concebido não apreende também isso, porque ele sente que age como por si mesmo; então ele crê que, se o bem e o vero não vêm dele, ele nada pode pensar e, com mais forte razão, nada pode fazer, e que, se viessem de um outro, ele deveria conservar-se em repouso e esperar continuamente o influxo.
[4] É um vero intelectual, que nada senão o bem provém do Senhor e que nunca nada do mal; o primeiro Racional concebido também não crê nisso; ele pensa, porque o Senhor governa tudo, em geral e em particular, que também o mal vem d’Ele, e que, sendo Onipotente, Onipresente e o Bem mesmo, e não suprimindo as punições dos maus no inferno, ele quer o mal como castigo das faltas, quando a verdade é que o Senhor não faz o mal a ninguém e não quer a punição de ninguém.
[5] É um vero intelectual, que o homem celeste tem, pelo Senhor, a percepção do bem e do vero; o primeiro racional ou nega absolutamente a percepção ou crê que, se ele percebesse por um outro e não por si mesmo, ele seria como inanimado, ou sem vida alguma. Mas, pelo contrário, quanto mais o racional pensar a partir das coisas do conhecimento oriundas das coisas dos sentidos e quanto mais pensa a partir das coisas filosóficas, tanto menos ele compreende esses veros e todos os outros veros intelectuais, porque as falácias que vêm daí estão envoltas em sombras tanto mais espessas; por isso é que os instruídos creem menos do que os outros.
[6] Como tal é o primeiro Racional concebido, é evidente que “tinha a [sua] senhora como vil”, isto é, ‘[ele] despreza o vero intelectual’. O vero intelectual não se manifesta, isto é, não é reconhecido, antes que as falácias e as aparências tenham sido dissipadas; e elas jamais são dissipadas enquanto o homem raciocinar sobre os veros mesmos segundo as coisas dos sentidos e dos conhecimentos; porém, logo quando pela primeira vez ele crê com um coração simples que uma coisa é verdadeira porque assim foi dito pelo Senhor, as sombras das falácias se dissipam e, nele, nada impede então que compreenda.
[7] No Senhor, contudo, não houve falácia alguma, mas quando Seu primeiro Racional foi concebido, houve aparências do vero, as quais não eram veros em si mesmos, como vimos claramente pelo que foi dito (n. 1661); daí também o Seu Racional, na primeira concepção, desprezava o vero intelectual, mas sucessivamente, à proporção que o Seu Racional se tornou Divino, as nuvens das aparências se dissiparam e os Veros Intelectuais se manifestaram a Ele em sua luz, o que foi representado e significado pela expulsão de Ismael da casa de Abrahão quando Isaque cresceu. Ver-se-á, no que segue (n. 1914), que o Senhor não desprezou o Vero Intelectual, mas percebia e viu que o Seu Racional novo desprezava esse vero.

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