ac 1919

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. ‘Disse Abrão a Sarai’; que signifique a percepção, é o que se vê pelo que se disse acima (n. 1898). A percepção do Senhor foi representada e é aqui significada por tal expressão: que “disse Abrão a Sarai”; mas o Pensamento proveniente da Percepção o foi por tal: que “disse Sarai a Abrão”. Era uma Percepção a partir da qual provinha o Pensamento; os que estão na percepção não obtêm o seu pensamento de outra parte, mas a verdade é que a percepção é uma coisa diferente do pensamento. Para que se saiba que é outra coisa, seja, para esclarecimento, a consciência:
[2] A consciência é uma sorte de ditame geral e, portanto, obscuro, das coisas que influem do Senhor por meio dos céus; as coisas que assim influem se fixam no homem interior racional e estão aí como em uma nuvem, e esta nuvem é proveniente das aparências e das falácias a respeito dos veros e bens da fé. Ora, o pensamento é distinto da consciência, mas ele flui da consciência, porque os que têm a consciência pensam e falam segundo a consciência, e o pensamento não é outra coisa mais do que a explicação das coisas que pertencem à consciência e, assim, a repartição dessas coisas em ideias e, depois, em palavras. Daí vem que os que têm a consciência são levados pelo Senhor a bem pensar a respeito do próximo e são desviados de mal pensar. Por isso a consciência nunca pode estar senão entre os que amam ao próximo como a si mesmos e que pensam bem sobre os veros da fé. Do que acaba de ser alegado, pode-se ver que diferença há entre a consciência e o pensamento, e, por essa diferença, conhecer a que existe entre a percepção e o pensamento.
[3] A Percepção do Senhor procedeu imediatamente de JEHOVAH, por conseguinte, do Divino Bem; mas o Seu Pensamento procedeu do vero intelectual e da afeição desse vero, como se disse acima (n. 1904, 1914). A Percepção Divina do Senhor não pode ser compreendida por ideia alguma, nem sequer pela ideia angélica; ela não pode, portanto, ser descrita. A percepção dos anjos, de que se falou (n. 1384 e seg. 1394, 1395) dificilmente é alguma coisa relativamente à Percepção que existiu no Senhor. Como a Percepção do Senhor era Divina, ela se estendera sobre todas as coisas que estavam nos céus, e como abrangesse todas as coisas que estavam nos céus, ela se estendera sobre todas as que estão nas terras, porque há tal ordem, tal encadeamento [nexus] e tal influxo, que aquele que está na percepção daquelas primeiras coisas também está na percepção destas outras.
[4] Mas depois que a Essência Humana do Senhor foi unida à Sua Essência Divina e se tornou, ao mesmo tempo, JEHOVAH, o Senhor então esteve acima disto que é chamado percepção, porque Ele esteve acima da ordem que há nos céus e, daí, nas terras. É JEHOVAH de Quem procede a ordem, por isso se pode dizer que JEHOVAH seja a Ordem mesma, porquanto é de Si mesmo que Ele governa a ordem, não só — como se pensa — no universal, mas também nas menores particularidades. De fato, é das coisas mais particulares que o universal se compõe; falar do universal e separar dele as coisas particulares seria absolutamente falar de um todo no qual não haveria nenhuma parte e, por consequência, falar de uma coisa na qual nada haveria. Assim, dizer que a Providência do Senhor é universal e não está nas menores particularidades é proferir a maior falsidade e é apresentar, conforme a expressão usada, um ente de razão; porque prover e governar no universal e não nas coisas mais particulares é absolutamente não prover coisa alguma e nada governar. Isso é filosoficamente verdadeiro, mas é surpreendente que os próprios filósofos, até os mais sublimes, entretanto, compreendam de outro modo e pensem de outro modo.

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